- O livro Mexico Modern, de Tami Christiansen, reúne oito casas modernas no México e mostra como arquitetos reinterpretaram o modernismo no país.
- O modernismo mexicano surgiu após a Revolução, buscando identidade nacional e abrindo mão de influências coloniais, conectando-se ao clima e à paisagem.
- Os projetos destacam uma mistura de referências pré-colombinas, Brutalismo e linguagem contemporânea, com uso expressivo de cor, textura e integração com o entorno.
- Entre os imóveis, aparecem Praxis (Agustín Hernández Navarro), Casa Bernal (Chic by Accident), Rain Harvest Home (Javier Sánchez Arquitectura e Robert Hutchison Architecture), Casa de Tierra-Catarina (Taller Héctor Barroso), Casa Izar (Taller ADG), Casa Coyoacán (Pedro Reyes e Carla Fernández), Casa Aviv (CO-LAB Design Office) e Casa Monte (Carlos H. Matos).
- As obras valorizam a relação entre interior e exterior, materiais locais e detalhes que remetem à tradição arquitetônica mexicana, com ênfase em vistas, terra e elementos naturais.
O livro Mexico Modern, de Tami Christiansen, apresenta uma seleção de oito imóveis projetados por arquitetos modernistas mexicanos e por profissionais que trabalham nesse viés contemporâneo. A obra contextualiza a matemática estética local com referências a uma herança que vai das pirâmides pré-hispânicas ao modernismo europeu, trazendo uma leitura brasileira sobre a identidade arquitetônica do país. A leitura ressalta as inovações e as diferenças em relação aos pares europeus, com foco em materiais, clima e paisagem.
A publicação descreve casas que incorporam o legado histórico com linguagem contemporânea, destacando a relação entre o contexto nacional e a expressão geométrica típica do movimento moderno. Os projetos evidenciam uso expressivo do concreto, do vidro e da madeira, bem como a integração entre interior e exterior, conforme as releituras de cada escritório. A obra circula de forma a permitir compreensão dessas propostas para além do urbanismo tradicional.
Praxis, Agustín Hernández Navarro
A casa foi desenhada em 1975 pelo arquiteto Agustín Hernández Navarro (1924–2022), referência do modernismo mexicano. Sua torre escultórica se eleva sobre o bairro Bosques de las Lomas, em Cidade do México. O estilo Brutalista se manifesta no concreto bruto e nas formas massivas, inspiradas por uma casa na árvore. A residência foi o retiro particular do arquiteto, reunindo pirâmides e prismas que dialogam com a arquitetura pré-colombina.
Casa Bernal, Chic by Accident
Parte de uma ala de concreto integrada a uma mansão colonial do século XVI, na Querétaro. O estúdio Chic by Accident, de Emmanuel Picault, buscou aproximar o antigo ao moderno. Janelas de aço e vidro em altura total proporcionam vistas dramáticas do Peña de Bernal. O piso usa pizarra mexicana, e o entorno emprega esferas de solo vulcânico como elementos escultóricos.
Rain Harvest Home
Localizada em Valle de Bravo, a residência foi co-projetada por Javier Sanchéz Arquitectura e Robert Hutchison Architecture (concluída em 2020). O espaço utiliza captação de água da chuva e inclui banho, piscina com skylight, sauna e banho frio movido a energia solar. As paredes e o teto são de pinho, integrando-se ao entorno natural com composições que enfatizam o uso de madeira no país.
Casa de Tierra-Catarina
Projeto de Taller Héctor Barroso com interior assinado pela Habitación 116. Construída com terra compactada, a casa recebe telhado de madeira que protege do sol e da chuva. O conjunto dispõe de marcenarias de origem local e lareiras de pedra vulcânica para aquecer ambientes frios, mantendo a harmonia com o entorno lacustre.
Casa Izar, Taller ADG
Obra inspirada em cabanas de montanha com telhados inclinados e beirais profundos. A área interna, desenhada pelo Estudio MDB, valoriza ofícios e materiais locais. A bancada de pedra vulcânica e a cerâmica de barro negro, criadas por David Pompa, destacam a herança artesanal da região.
Casa Coyoacán, Pedro Reyes e Carla Fernández
Em Coyoacán, Cidade do México, a residência privilegia biblioteca com dois andares e um uso dual de casa-atelier. A ambientação mistura modernismo mexicano, Brutalismo e referências da arte mesoamericana. Elementos em concreto texturizado, escadas de pedra e plantas tropicais criam uma linguagem híbrida, com toques de cor amarela para dinamizar o espaço.
Casa Aviv, CO-LAB Design Office
Seguindo a tradição modernista mexicana, a casa articula áreas internas e externas com fluidez. Joana Gomes, sócia do escritório, afirma a proximidade com a obra de Luis Barragán, especialmente na gestão de luz, massa e na ideia de levar o exterior para dentro.
Casa Monte, Carlos H Matos
Situada na costa de Oaxaca, a casa se destaca pelo concreto pigmentado em tonalidade rosada, integrada a uma paisagem rochosa. A estrutura lembra ruínas históricas cercadas pela vegetação, com referências ao palapa tradicional feito com folhas de coqueiro, revelando uma ponte entre passado e futuro.
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