- Jeferson Tenório conta que, aos 12 anos, quase se afogou na praia de Copacabana ao tentar chegar a Ipanema com uma prancha de isopor.
- Um surfista o puxou pela água, levou até a beira e, mesmo após o susto, ele percebeu que o mar não era um brinquedo.
- O episódio o levou a olhar a vida com mais observação, marcando o início de uma relação entre leitura e percepção do mundo.
- Em entrevistas e em sua obra, ele usa a metáfora de que ler é afogar-se no mar, um processo que transforma o leitor em uma figura que observa sem morrer.
- O texto também aborda reflexões sobre a diáspora negra, perdão ao Atlântico e recomenda leituras, conectando a experiência pessoal à ideia de literatura como forma de entender a história.
O dia em que quase se afogou na praia de Copacabana mudou a visão de Jeferson Tenório sobre leitura e vida. Aos 12 anos, ele decidiu faltar à escola para ir à praia com uma prancha de isopor improvisada. O objetivo era chegar a Ipanema pelo mar.
A história se passa em Copacabana, no Rio de Janeiro. O jovem não sabia nadar e não era surfista, mas encarou o desafio como uma brincadeira. As ondas estavam altas e ele avançou com esforço, criando uma sensação de domínio que mais tarde se mostrou ilusória.
Conforme avançava, o mar levou-o para além da arrebentação. Uma sequência de ondas o derrubou repetidamente, deixando-o sem fôlego. Ele lembra o momento de desistir e esperar pelo fim, até ser puxado por um surfista que passava pelo local.
O surfista o colocou na prancha e o levou até a margem. Ao questionar se estava bem, recebeu a resposta positiva, mas ouviu xingamentos do homem que o chamou de idiota. A multidão ao redor se dispersou, sem se preocupar com o rapaz.
Esse episódio transformou a percepção do mar para ele. O que era visto como brinquedo passou a ser segredo e objeto de cuidado intenso. A partir dali, o mar ganhou outra dimensão em sua vida, passando a exigir cautela e respeito.
Ler passou a ter um significado profundo. A partir daquele dia, ele observou o cotidiano com mais atenção, entendendo que a leitura seria uma forma de vigília constante. Anos depois, tornou a experiência uma metáfora sobre leitura.
Em uma perspectiva mais ampla, ele diz que o leitor é como um náufrago que sobrevive ao mergulho sem morrer, guardando o mar para si. O mergulho nos livros se torna um preço alto, que expõe a lucidez diante da vida.
A narrativa também aborda temas históricos, como a diáspora negra e o Atlântico, e propõe que o perdão do mar é necessário para seguir adiante. O texto sugere que a literatura, assim como o mar, cobra um preço pela compreensão do mundo.
Indicações literárias citadas no texto incluem Contador, a Noite e o Balaio de Patrick Chamoiseau; O Romance Luminoso de Mario Levrero; Ontem de Ágota Kristóf; e Hamlet de Shakespeare, além de referências a filmes e obras relacionadas aos temas de perda, memória e escrita.
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