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Gilead a Ladyland: mulheres da literatura oferecem esperança em tempos sombrios

A revolta coletiva de mulheres em mundos ficcionais, inspirada por Banishanta, oferece esperança diante do patriarcado

Protesters dressed as handmaids in Washington DC.
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  • A jornalista visita a ilha de Banishanta, no sul de Bangladesh, conhecida por um bordel licenciado desde a era colonial, na primavera de dois mil e vinte e quatro.
  • A experiência com as mulheres da ilha inspira a autora a escrever um romance sobre uma revolta feminina em uma ilha fictícia, visto como manual de sobrevivência e libertação.
  • O texto dialoga com obras que exploram poder feminino ou protesto, como as novelas Gilead, The Power e as peças Lysistrata, além de Sultana’s Dream, de Rokeya Sakhawat Hossain.
  • São apresentados caminhos de resistência: abstenção sexual, ações coletivas e uso de tecnologia, com referência à 4B, movimento sul-coreano que rejeita quatro pilares do patriarcado.
  • No relato, personagens da ilha real — Farzana, Asha e Komola — ajudam a compor a visão de uma revolta feminina triunfante frente ao patriarcado.

O resgate de uma utopia feminina inspira uma escritora a imaginar protestos coletivos em ficção. Em visita a Banishanta, ilha costeira deBangladesh, a autora descreve o cenário de uma outrora casa de exploração ligada a vínculos históricos.

A reportagem acompanha a jornada da romancista pela ilha, marcada por dunas de casinhas simples e um entorno de aridez. Ela revela que, anos antes, ouvira falar de um prostíbulo estatal que existe desde o período colonial britânico, informação que a motivou a explorar a resistência das mulheres por meio da ficção.

Ao longo do texto, são traçados paralelos com obras literárias que tratam de protagonismo feminino em contextos opressivos. Têm eco referências a mundos como Gilead, The Power e outras narrativas que colocam mulheres no centro de transformações sociais, seja por meio de ações coletivas ou estratégias de resistência.

O artigo descreve exemplos históricos de lutas femininas por mudanças de poder, incluindo referências a Lysistrata, de Aristófanes, e a modos de protesto que desafiam normas patriarcais. Também são mencionadas manifestações modernas que associam resistência a ações não convencionais, como abstinência e recusa de papéis tradicionais.

Entre as depoentes da ilha, destacam-se mulheres de diferentes idades, que convivem com a precariedade e o segredo. Relatos de vida no local revelam vínculos entre meninas, mães e anciãs, e o impacto de mobilizar-se para a autonomia em condições de vulnerabilidade.

A publicação descreve ainda menções a obras anteriores que retratam utopias femininas, incluindo narrativas de sociedades onde a liderança é feminina e os papéis masculinos são reorganizados. Essas referências servem para fundamentar a ideia de que a imaginação pode servir de guia para sobrevivência e empoderamento.

Segundo o texto, a autora decidiu construir uma ficção em que uma constelação de mulheres protagoniza um levante, recusando relações sexuais e outros dispositivos de dominação. O objetivo é oferecer uma linha de esperança diante de situações de opressão, mantendo o foco na possibilidade de transformação por meio da ação coletiva.

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