- Antonio Fagundes proíbe entrada de quem chega após a abertura da cortina, mantendo o respeito ao tempo dos espectadores.
- O ator já foi processado diversas vezes por esse objetivo, incluindo ações movidas por profissionais do Direito atrasados.
- Em um caso recente, uma juíza foi barrada ao chegar depois do início do espetáculo, segundo Fagundes, que alegou não poder desrespeitar as 650 pessoas na plateia.
- O texto relaciona essa prática à “guerra dos delivery” em São Paulo, com empresas prometendo entregas rápidas e o mercado brasileiro projetado para além de US$ 23 bilhões até 2026.
- Também aborda a vida online e a valorização de experiências presenciais, defendendo que chegar na hora é uma forma básica de demonstrar que o tempo do outro importa.
Durante uma apresentação de uma peça em cartaz no bairro de Perdizes, em São Paulo, Antonio Fagundes mantém a regra de não permitir a entrada após o início do espetáculo. A prática, repetida em shows do ator, visa preservar o tempo de quem chegou no horário, independentemente do motivo do atraso.
A cada apresentação, o elenco e a produção reforçam que a cortina abre e quem chega depois não pode ingressar. A justificativa é evitar interrupções para o público e manter a experiência teatral igual para todos. A regra já gerou ações judiciais envolvendo profissionais do Direito.
Recentemente, uma juíza foi barrada ao chegar após o início da peça, segundo reportagem publicada pela BBC. A defesa do ator cita o compromisso com o tempo de 650 pessoas presentes.
Implicação prática do tempo no cotidiano urbano
A discussão envolve também a chamada “guerra dos delivery” em São Paulo. Empresas prometem entregas cada vez mais rápidas, com a Now, da Amazon, anunciando prazos de até 15 minutos. A segmentos de mercado destacam a busca por eficiência para poupar tempo.
Dados de mercado mostram que o setor de delivery brasileiro deve superar US$ 23 bilhões em 2026. Empresas emergentes tentam desafiar a liderança do iFood, prometendo entregas mais rápidas e oferecendo vouchers em caso de atraso.
A urbanidade contemporânea registra que brasileiros passam longas horas conectados. Estudo da Bain & Company, de 2025, aponta mais de 9 horas diárias online, com redes sociais consumindo boa parte desse tempo. A média global é menor.
Tempo, conectividade e sentimento de solidão
Especialistas veem o aumento do uso de plataformas digitais como amplificador de tendências sociais. O sociólogo Manuel Castells descreve a internet como extensão da vida, intensificando individualismo. Outros autores destacam uma sociedade fragmentária.
Em meio a esse cenário, a busca por conveniência aparece como resposta à solidão. Contudo, especialistas ressaltam que o tempo dedicado a encontros presenciais pode favorecer a conexão real, que se tornou demanda relevante para formatos offline, como teatro.
A prática de respeitar o tempo coletivo, presente nas peças de Fagundes, é apresentada como uma forma de valorizar o espaço compartilhado. O movimento reforça a ideia de que chegar no horário pode significar respeito pelo tempo do outro.
Entre na conversa da comunidade