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Tornar-se mãe pode aumentar a produtividade de escritoras

A paternidade e a maternidade podem ampliar a produtividade na escrita, aproveitando brechas diárias para criar

‘The fragmentary access to time can affect the form of the work that emerges from parenthood.’ Photograph: Maskot/Getty Images
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  • O texto aborda como a maternidade pode tornar a escrita mais produtiva ao aproveitar lacunas de tempo no dia a dia.
  • Autoras citadas descrevem escrever em intervalos curtos, entre atividades com o bebê, como amamentação e cochilos.
  • Casos mencionados incluem Johanne Lykke Naderehvandi, Pilar Quintana, Kate Zambreno e Olga Ravn, que relatam produzir textos por etapas, notas ou durante momentos de cuidado.
  • A experiência de parentalidade também é apresentada como fonte de frustração e sensação de aprisionamento, mas com aspectos de leveza ao criar ficção sob essa pressão.
  • A ideia central é que a escrita pode refletir a fragmentação do tempo vivido pelos pais, surgindo de parágrafos curtos, pensamentos isolados e notas.

Becoming a parent changes a writer’s rotina. Um bebê transforma longas janelas de tempo em pequenos intervalos de criatividade, que podem surgir em minutos livres entre cuidados diários.

Antes da chegada do filho, havia dias inteiros para pensar em textos. Agora, cerca de meia hora pode virar uma oportunidade de produção, mesmo com tarefas como amamentação, troca de fraldas e sono interrompido.

A rotina materna envolve alimentar, acalmar e colocar a criança para dormir, além de cuidar de si mesma. O ritmo é intenso e, às vezes, esmagador, alterando a relação entre o tempo e a escrita.

Mas, com o tempo de recuperação física e emocional, surgem estratégias para aproveitar as lacunas da agenda. A escrita pode ajudar a manter o senso de identidade criativa diante da nova realidade.

Exemplos de experiências

A escritora sueca Johanne Lykke Naderehvandi, mãe de quatro, afirma que precisa de ruídos ao redor para escrever. A ideia de que o momento de trabalho é fugaz orienta a produção em blocos curtos.

Durante o festival literário de Berlim em 2022, a escritora colombiana Pilar Quintana revelou que grande parte de seu romance foi escrita em notas no celular, entre leituras do bebê. Ao transferir o texto, percebeu o alto volume de palavras.

A imagem de segurar o bebê dormindo pode parecer uma limitação, mas também inspira uma forma de criação. O deslocamento entre a posição física e a concentração mental pode gerar textos que dialogam com a própria experiência.

Perspectivas sobre o tempo

Narrativas recentes destacam parágrafos curtos, blocos de pensamentos e notas como formas de apresentar a experiência de maternidade. A produção literária reflete o conceito de tempo fragmentado vivido por pais.

Para algumas autoras, o esforço de escrever durante a amamentação ou em momentos de tranquilidade do bebê resulta em material com ritmo próprio, que questiona rotinas tradicionais de produção literária.

A experiência de promover a escrita em meio à criação envolve escolhas práticas, como aproveitar breves janelas de silêncio e aceitar que a reprodução de ideias pode acontecer de forma não linear.

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