- A jaqueta puffer, também chamada de bomber jacket ou bombojaco, ganhou significado político-social na periferia de São Paulo antes de alcançar ambientes corporativos.
- A origem remonta aos montanhistas, com o modelo Skyliner criado em 1936 por Eddie Bauer para enfrentar o frio extremo.
- Nos anos 2000, artistas de rap ajudaram a popularizar a peça como símbolo de estilo, resistência e identidade.
- Em São Paulo, quando a temperatura fica abaixo de vinte graus, a jaqueta se torna item quase universal, inclusive entre executivos na Avenida Faria Lima.
- Especialistas dizem que a peça passou de símbolo de pertença periférica a código de eficiência e mobilidade no ambiente urbano e corporativo, mantendo foco na praticidade.
A jaqueta de gominhos, conhecida como bombojaco, tornou-se símbolo do frio em São Paulo e atravessou as fronteiras entre periferia, rap e mundo corporativo. De 2002 para cá, a peça ganhou novas leituras e contextos, segundo especialistas ouvidos pelo g1.
Entre os estrangeirismos da moda, o item também é chamado de puffer e bomber jacket, nomenclaturas que ajudaram a difundi-lo nas ruas, estações e escritórios da capital quando as temperaturas caem abaixo de 20ºC. O casaco ganhou status de peça democrática.
Para além da função prática de aquecer, a jaqueta passou a sinalizar pertencimento a diferentes territórios sociais. Em 2002, os Racionais MC’s associavam a peça à vida urbana do Capão e ao frio de São Paulo, conforme trecho da música Da Ponte Pra Cá.
Origem, função social e transformação
A puffer nasceu nas montanhas, associada a equipamentos de sobrevivência. Nos anos 1930, Eddie Bauer criou modelos para frio extremo, que depois evoluíram para itens de esportes de neve. Nos anos 1980 e 1990, a peça migrou para as ruas.
Especialistas enfatizam a evolução: marcas de luxo e de streetwear ampliaram o uso da jaqueta, tornando-a mais versátil, leve e prática para a vida urbana. Tal transformação consolidou a peça como referência de estilo na cidade.
Para a moda brasileira, o bombojaco ganhou significados ligados à identidade periférica. A professora Janice Accioli destaca que a peça carregava resistência e proteção, além de marcar território na periferia.
Da periferia à Avenida Faria Lima
Hoje, a jaqueta é comum entre executivos da Avenida Faria Lima, que a veem como símbolo de mobilidade e eficiência. A coordenação de Design de Moda Valeska Nakad afirma que a peça comunica atualização estética e pertencimento a uma economia contemporânea.
Pesquisas com foco em comportamento urbano apontam que a pandemia acelerou a mudança: roupas mais confortáveis passaram a compor o guarda-roupa corporativo. O comprimento mais curto da jaqueta facilita a combinação com paletós casuais.
A globalização da peça evidencia sua natureza democrática: modelos variam de menos de 100 reais a itens que superam milhares, refletindo a diversidade de públicos que a utilizam.
Perguntas que ficam em aberto
Ao deslocar a peça da periferia para o ambiente corporativo, surgem questões sobre apropriação versus ressignificação. Especialistas ressaltam que a jaqueta pode perder parte de seu significado original quando adotada sem reconhecimento de origem.
Apesar disso, a puffer manteve sua funcionalidade: corta-vento, retenção de calor, leveza e facilidade de transporte ajudam na rotina urbana, especialmente em cidades com variação climática diurna. A peça continua sendo referência de estilo e praticidade.
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