- O angu, prato tradicional feito com fubá e água, vive um momento de redescoberta e conquista espaço na alta gastronomia brasileira, especialmente em Minas Gerais.
- Em meio à valorização de ingredientes nacionais, o angu passa de acompanhamento caseiro a elemento de cardápios que revisitam a tradição, mantendo identidade própria frente à polenta italiana.
- A diferença essencial: angu usa fubá mimoso com textura mais lisa, enquanto a polenta costuma ser feita com farinha de milho mais granulada.
- Exemplos no roteiro atual incluem o Lena, com pastel de angu e creme de milho; o Trintaeum, em Belo Horizonte, mantendo a raiz mineira com assinatura; e variações com queijos, cogumelos e molhos.
- O milho aparece como protagonista na cultura brasileira, sustentando o angu por meio de produtores locais e fecularias artesanais, que ajudam a preservá-lo como prato versátil para diferentes contextos.
O angu, prato tradicional da culinária mineira, volta a ganhar visibilidade em menus e em casa. Feito com fubá e água, ele já não se restringe ao cenário rural, apresentando versões que dialogam com a cozinha contemporânea. O movimento valoriza ingredientes nacionais e a memória brasileira.
O sabor suave e a textura cremosa do angu permanecem como base. Ainda que semelhante à polenta italiana, o angu usa fubá mimoso, o que resulta em uma consistência mais lisa. Esse diferencial é destacado por chefs que defendem uma identidade brasileira na prática.
Segundo o chef Mário Santiago, do Lena, o angu clássico funciona como base de sabores. Em seu estabelecimento, o prato aparece com pastel de angu, creme de milho, requeijão e picles de pimenta de cheiro com coentro.
O milho é a espinha dorsal do angu e figura em várias receitas nacionais, da pamonha ao curau. Para o chef Raul Vieira, do Terraço Jardins, o cereal traduz a identidade da cozinha caipira, apoiando a tradição e o trabalho de produtores locais.
No Lena, o fubá utilizado vem de uma fecularia artesanal paulista, preservando características que remetem às cozinhas do interior. O produto reforça o papel central do milho na cultura alimentar regional.
Da casa para o restaurante, o angu mantêm a essência ao mesmo tempo em que aceita inovações. Em casa, serve de acompanhamento para molhos, carnes e ensopados; nos menus, ganha composições que valorizam a tradição com técnicas modernas.
Em Belo Horizonte, a chef Ana Gabi Costa do Trintaeum ressalta que o angu mantém a raiz mineira, mas dialoga com técnica, textura e memória afetiva, abrindo espaço para releituras com assinatura própria.
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