- Viagem de 1.600 milhas partiu de Sussex rumo à Escócia, passando por Eryri, Llandudno, Lancashire, Lake District e Yorkshire.
- A autora investiga a história das férias britânicas ao longo de quatro séculos para o livro, descobrindo que parte da memória chega pelas bibliotecas, arquivos e museus locais.
- Em Eryri, o Royal Oak em Betws-y-Coed recebeu artistas no século XVIII e ajudou a consolidar uma comunidade criativa na região.
- Em Blackpool e Lancashire, surgem relatos sobre o surgimento de grandes museus vitorianos, vias de turismo e a dualidade entre exuberância turística e pobreza local.
- Na Escócia, destacam-se visitas a Glen Coe, Loch Lomond e Blair Castle, com ligações históricas a Victoria e ao redesenho da relação entre turismo real e paisagens do país.
Por que um percurso de 1.600 milhas pela Grã-Bretanha revela duas décadas de costumes e geografias. Um passeio de Sussex até as Terras altas da Escócia, passando por Eryri (Snowdônia), Lancashire, Lake District e Yorkshire, serviu de pesquisa para um livro sobre 400 anos de férias britânicas.
Partiu solo, por duas semanas, com o objetivo de mapear museus, arquivos e resorts praianos que já brilharam no histórico do turismo. A autora – que divide a tempo entre o sul do país e viagens de campo – descreve como o cotidiano das regiões revela mudanças de era e hábitos.
Chegada a Eryri, Betws-y-Coed recebeu visitas a hotéis históricos, como o Royal Oak, já frequentado por artistas desde o final do século XVIII. Anota-se que, 50 anos depois, o local foi centro de uma das primeiras colônias de artistas da região, atraída pela paisagem montanhosa e pelos bosques.
Na sequência, Llandudno foi descrita como uma cidade litorânea marcadamente preservada, quase um parque temático vitoriano. O papel da família Mostyn na construção da cidade e o controle de cores e traços do promenade aparecem como exemplo de planejamento urbano histórico.
Entre relatos locais, o papel de bibliotecas, arquivos e museus de bairro ganha destaque. O texto reforça que grande parte da nossa história está em espaços menos visíveis do que grandes museus urbanos, muitas vezes mantidos por voluntários.
A viagem avança pela Lancashire, com referências a museus vitorianos e à arquitetura de cidades industriais. Blackburn e Bolton aparecem como testemunhos de uma era de industrialização e prosperidade, ainda visível em seus edifícios públicos e ruas.
O itinerário segue para Blackpool, onde as iluminações noturnas contrastam com a percepção de áreas mais carentes da região. Entrevistas com anfitriões locais ajudam a entender a dualidade entre prosperidade turística e dificuldades socioeconômicas.
Mais adiante, a autora descreve a Escócia como o ponto de virada da jornada. O cenário é montanhoso: Rannoch Moor, Glen Coe e o vale de Loch Lomond são retratados sem idealização, destacando a imponência do ambiente.
Histórias históricas aparecem com o relato de visitas reais, como a de Queen Victoria a Blair Castle em 1844, associada ao início de uma relação duradoura entre a monarquia britânica e a Escócia. A viagem também relembra a conquista de Balmoral, em 1852, e o papel de Balmoral na monarquia.
Ao retornar para casa, após 13 dias e 1.600 milhas, a autora reflete sobre a experiência: a jornada revelou um país pouco conhecido por quem o morou, abrindo novas leituras sobre o turismo britânico.
O livro The Great Escape: Britain’s 400-Year Love Affair with Holidays, de Annabelle Thorpe, está disponível pela editora DK Red. A obra compila as descobertas da autora durante o percurso, que também serviu de base para o estudo apresentado.
Entre na conversa da comunidade