- Nos Estados Unidos, o fenômeno chamado “dateflation” mostra que o custo de encontros está subindo, com média de US$ 252 por date e US$ 2,3 mil ao longo do último ano.
- O efeito financeiro também reduziu o número de primeiros encontros, que caiu de cerca de 14 por ano em 2025 para 12 neste ano.
- Em média, quem namora gasta US$ 189 por jantar, alta de 12,5% em um ano.
- No Canadá, 55% dos solteiros não tiveram um único date nos últimos doze meses, e 47% dos solteiros americanos acreditam que sair para encontros não compensa financeiramente.
- A inflação mundial eleva os custos de encontros, levando a mudanças de comportamento, com preferência por opções mais simples e foco em hábitos financeiros.
O termo dateflation ganhou destaque nos Estados Unidos, unindo date e inflation para explicar o aumento de custos de encontros. Economistas observaram que jantares, vinhos e deslocamentos ficaram mais caros, transformando as saídas em planilhas.
Segundo o BMO Real Financial Progress Index, um millennial americano gasta em média US$252 por encontro, o equivalente a cerca de R$ 1,3 mil. Ao longo de 12 meses, o gasto chega a US$2,3 mil, afetando o número de primeiros encontros.
O estudo aponta que, mesmo com todas as gerações consideradas, namorar ficou mais caro, elevando o custo por jantar para US$189, alta de 12,5% em um ano. E o resultado é que quase a metade dos solteiros afirma que não compensa financeiramente sair.
Na prática, o comportamento muda: quase metade de quem está solteiro nos EUA não vê vantagem financeira em encontros. No Canadá, 55% dos solteiros não tiveram um único date nos últimos 12 meses, segundo o mesmo levantamento.
Referência internacional aponta ainda que a inflação afeta o custo de encontros em diferentes países. Uma calculadora online compara valores de 2026 e 2019 por país, sem dados oficiais do Brasil até o momento.
O que muda no cotidiano
Para alguns, o acréscimo de custo transforma o primeiro encontro em uma articulação de investimento. O objetivo passa a ser confirmar se o investimento compensa, em vez de apenas conhecer alguém.
O efeito envolve também o comportamento social: maior seletividade, menos chances de encontros casuais e maior peso da conta na decisão de seguir ou não com alguém.
Além disso, o mercado de moradia, lazer e consumo individual se reconfigura. Espaços antes coletivos passam a atender pessoas sozinhas, com foco em bem-estar e conforto pessoal.
Outro dado do estudo indica que, entre homens americanos, 71% ainda esperam arcar com as despesas no início de um relacionamento. Com salários desiguais, a pergunta de quem paga volta com força.
A inflação, segundo a análise, pode estimular hábitos financeiros mais responsáveis. O conceito de valor ganha importância maior do que o gasto em luxos, como jantares caros.
Perspectivas
Especialistas sugerem que o dateflation pode sinalizar uma mudança mais ampla: o apego a formatos de encontro tende a se adaptar a custos reais, priorizando atividades simples e momentos menos custosos.
A tendência indica que o romantismo pode migrar para ações simples, como caminhar no parque ou tomar café na esquina, em vez de jantares com demonstração de status.
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