- Pesquisadores desenvolveram um novo método para analisar o carbono orgânico dissolvido (DOC) em formações marinhas de ooides de ferro, datadas dos últimos 1.650 milhões de anos.
- As concentrações de DOC eram semelhantes às atuais durante o Paleoproterozoico, diminuindo entre 90% e 99% no Neoproterozoico e aumentando novamente no Cambriano.
- Essa variação reflete a evolução da vida marinha, desde organismos unicelulares em oceanos com baixo oxigênio até o surgimento de organismos multicelulares e a oxigenação total dos oceanos.
- O DOC moderno apresenta enriquecimento em carbono-13 (13C) em comparação ao Proterozoico, possivelmente devido a inovações biológicas.
- A nova abordagem permite uma reconstrução mais precisa das dinâmicas do DOC, contribuindo para a compreensão de eventos como glaciações globais e a radiação de eucariotos marinhos.
O carbono orgânico dissolvido (DOC) é um dos maiores reservatórios de carbono nos oceanos, desempenhando um papel crucial na regulação das comunidades marinhas e dos níveis de CO2 atmosférico. Pesquisadores desenvolveram um novo proxy para analisar a dinâmica do DOC ao longo da história geológica, utilizando carbono orgânico co-precipitado em óxidos de ferro. Essa técnica foi aplicada em 26 formações marinhas de ooides de ferro, datadas dos últimos 1.650 milhões de anos.
Os resultados indicam que as concentrações de DOC eram semelhantes às atuais durante o Paleoproterozoico, diminuindo drasticamente entre 90% e 99% no Neoproterozoico e aumentando novamente no Cambriano. Essa variação reflete três estados distintos na evolução da vida marinha: a predominância de organismos unicelulares em oceanos hipoxicos, seguida pelo surgimento de organismos multicelulares e, finalmente, a oxigenação total dos oceanos.
A pesquisa sugere que o DOC moderno é enriquecido em 13C em comparação ao Proterozoico, possivelmente devido a inovações biológicas que alteraram a fração isotópica do carbono autotrófico. Os dados obtidos revelam conexões significativas entre o ciclo do carbono, a oxigenação dos oceanos e a evolução da vida complexa.
Além disso, a nova abordagem de proxy permite uma reconstrução mais precisa das dinâmicas do DOC ao longo do tempo, superando limitações de estudos anteriores que careciam de registros diretos. Essa descoberta pode ajudar a entender melhor os eventos de glaciações globais e a radiação de eucariotos marinhos, oferecendo uma nova perspectiva sobre a história da vida na Terra.
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