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O futuro do planeta é debatido em importante conferência internacional

Estudo propõe transformação do sistema alimentar global até 2050, com metas que podem reverter crises ambientais e sociais.

Cosecha de soja en el sur de Brasil en marzo de 2023 (Foto: picture alliance (dpa/picture alliance via Getty Images))
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  • Um estudo publicado na revista *Nature* propõe metas para transformar o sistema alimentar global até 2050.
  • As metas incluem a redução do desperdício de alimentos em setenta e cinco por cento e a restauração de cinquenta por cento das terras degradadas.
  • O sistema alimentar atual é responsável por vinte por cento das emissões globais de gases de efeito estufa e pela degradação de terras.
  • A mudança nos hábitos alimentares sugere substituir setenta por cento da carne vermelha e dez por cento dos vegetais por algas e produtos marinhos sustentáveis.
  • O estudo recomenda redirecionar subsídios agrícolas e implementar um “imposto sobre a terra” para promover práticas sustentáveis.

Um estudo recente publicado na revista *Nature* propõe metas ambiciosas para transformar o sistema alimentar global até 2050. A pesquisa, que envolve 21 cientistas de cinco continentes, sugere a redução do desperdício de alimentos em 75%, a restauração de 50% das terras degradadas e a mudança nos hábitos alimentares, com ênfase nos alimentos marinhos.

O sistema alimentar atual é responsável por 20% das emissões globais de gases de efeito estufa e pela degradação de terras, contribuindo para a perda de biodiversidade. O estudo destaca que cerca de um terço dos alimentos produzidos é desperdiçado, o que representa um grande desperdício de recursos e um fracasso ético em um mundo onde 673 milhões de pessoas ainda enfrentam a fome.

Metas para 2050

A proposta de reduzir o desperdício de alimentos poderia liberar mais de 13 milhões de quilômetros quadrados de terra para restauração, equivalente ao tamanho da Antártida. Isso não apenas diminuiria o uso de água e energia, mas também ajudaria a mitigar as emissões de gases de efeito estufa e a promover a biodiversidade.

Além disso, a restauração de 50% das terras degradadas poderia recuperar a funcionalidade ecológica de uma área maior que a China, beneficiando comunidades locais e pequenos agricultores. Essa abordagem é vista como uma solução eficaz para mitigar o impacto das mudanças climáticas.

Mudança nos Hábitos Alimentares

O estudo também enfatiza a importância de mudar os hábitos alimentares, sugerindo que substituir 70% da carne vermelha e 10% dos vegetais por algas e produtos marinhos sustentáveis poderia liberar 17,5 milhões de quilômetros quadrados de terra. Essa mudança reduziria significativamente o impacto ambiental do sistema alimentar, incluindo a deflorestação e a perda de biodiversidade.

Essas metas, se implementadas, poderiam liberar até 43,85 milhões de quilômetros quadrados de terra, uma área maior que o continente africano. A integração dos sistemas alimentares nas políticas ambientais é vista como essencial para enfrentar as crises interconectadas de degradação da terra, perda de biodiversidade e mudanças climáticas.

Caminhos para a Implementação

Para alcançar essas metas, o estudo sugere redirecionar subsídios agrícolas para apoiar a prevenção do desperdício de alimentos e penalizar práticas insustentáveis. A promoção de práticas de gestão sustentável da terra e o empoderamento de pequenos produtores são fundamentais. Além disso, a implementação de um “imposto sobre a terra” que recompense a gestão responsável pode ser uma estratégia eficaz.

A transformação do sistema alimentar é apresentada como uma ferramenta poderosa para enfrentar simultaneamente as crises ambientais, promovendo um futuro mais sustentável e equitativo.

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