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Moradores de quilombo no Pantanal enfrentam dificuldades após seca e queimadas

Queimadas em Bonito (MS) devastam o quilombo Águas do Miranda e forçam moradores a buscar alternativas de sobrevivência fora da comunidade

Rio Miranda próximo à comunidade quilombola Águas de Miranda, em Bonito (MS) - Rafaela Araújo/Folhapress
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  • O quilombo Águas do Miranda, em Bonito (MS), enfrenta uma crise econômica e ambiental severa.
  • A comunidade, com cerca de 35 famílias, depende da pesca e do turismo, mas as queimadas de 2020 e 2024 devastaram a região.
  • As queimadas consumiram 2,6 milhões de hectares em 2024, resultando em escassez de peixes e queda no turismo.
  • Moradores, como Ivanice Rosa, afirmam que a pesca não sustenta mais a comunidade, levando muitos a buscar trabalho fora.
  • A pesquisa da Fiocruz aponta que o desmatamento e o assoreamento do rio aumentam a contaminação das águas, afetando a saúde e a segurança alimentar.

O quilombo Águas do Miranda, localizado em Bonito (MS), enfrenta uma grave crise econômica e ambiental. Com cerca de 35 famílias, a comunidade tradicional depende da pesca e do turismo, mas as queimadas de 2020 e 2024 devastaram a região, agravando a escassez de peixes e comprometendo a segurança alimentar.

As queimadas, que consumiram 2,6 milhões de hectares em 2024, impactaram diretamente a vida dos moradores. Ivanice Rosa, 45, professora e residente há mais de 20 anos, afirma que “hoje, se alguém disser que vive da pesca está mentindo”. A escassez de peixes e a queda no turismo forçam muitos a buscar trabalho fora da comunidade.

Eliane de Santos Ribeiro, 38, dona de casa, relata que, mesmo com a melhora do nível da água, o ano foi marcado por prejuízos. “É com o trabalho no rio que entra dinheiro e alimento. Se não entra, temos contas para pagar”, diz. A situação é ainda mais crítica para as mulheres, que muitas vezes gerenciam os recursos escassos.

Impactos Ambientais

A pesquisa da Fiocruz aponta que o desmatamento e o assoreamento do rio diminuem a quantidade de peixes e contaminam as águas, aumentando o risco de doenças gastrointestinais. Zoraida Fernandez, pesquisadora, destaca que a contaminação reduz o oxigênio na água, levando à morte de peixes e à insegurança alimentar.

A escassez de recursos naturais pode forçar os moradores a deixar suas casas, perdendo suas tradições. Evanir Rosa Cardoso, 42, membro da associação de moradores, observa que a luta é por oportunidades de trabalho na comunidade. “Quando estamos nos recuperando, vem outra seca”, lamenta.

Preservação Cultural

Amarílio Modesto da Silva, 86, líder comunitário, ressalta a importância do rio para a subsistência. “Aqui, se a pessoa não pode comprar um peixe, vai e pega um”, afirma. Apesar das dificuldades, ele se orgulha do legado da comunidade e da união entre os moradores.

A série de reportagens “Cicatrizes no Pantanal” explora os impactos das queimadas na saúde, educação e modos de vida das comunidades afetadas. O projeto é uma parceria da Folha com a Fundação Ford, destacando a necessidade de ações do poder público para atender as demandas das comunidades tradicionais.

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