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Lobo-guará busca abrigo fora do Cerrado devastado por mudanças climáticas

Projeto de monitoramento busca preservar o lobo-guará e restaurar seu habitat no Cerrado, ameaçado pela degradação ambiental

Lobo-guará busca abrigo em novos biomas devido à destruição de seu habitat natural — Foto: Ana Lúcia Azevedo
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  • A loba-guará Petrina foi equipada com uma coleira de geolocalização na Serra do Caraça, em Minas Gerais.
  • O objetivo é monitorar seus deslocamentos e ajudar na conservação da espécie, que está ameaçada de extinção.
  • O projeto é realizado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Cenap/ICMBio).
  • Desde 1985, o Cerrado perdeu 40,5 milhões de hectares, forçando os lobos a migrar para áreas desmatadas da Amazônia e da Mata Atlântica.
  • A coleira permitirá o acompanhamento dos movimentos de Petrina por dois anos, contribuindo para a criação do Corredor do Lobo, que conectará unidades de conservação em Minas Gerais.

Petrina, uma jovem loba-guará, foi equipada com uma coleira de geolocalização na Serra do Caraça, em Minas Gerais, para monitorar seus deslocamentos e contribuir para a conservação da espécie, que enfrenta sérios riscos de extinção. O projeto, que envolve o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Cenap/ICMBio), busca entender os padrões de movimentação do lobo-guará, que já teve sua população reduzida de cerca de 6 mil indivíduos em 2012 para 5.600 em 2020.

O Cerrado, habitat natural do lobo-guará, perdeu 40,5 milhões de hectares desde 1985, segundo dados do MapBiomas. Com a degradação do bioma, os lobos têm migrado para áreas desmatadas da Amazônia e da Mata Atlântica, onde enfrentam escassez de alimentos e doenças. O biólogo Rogério Cunha de Paula destaca que apenas 4% das áreas analisadas em biomas como Cerrado e Pantanal oferecem condições adequadas para a espécie.

O projeto Lobos do Caraça, que conta com o apoio do Ministério Público de Minas Gerais, visa não apenas estudar a população de lobos, mas também avaliar como o turismo de observação pode ajudar na preservação. A coleira de Petrina permitirá o acompanhamento de seus movimentos por dois anos, contribuindo para a criação do Corredor do Lobo, que conectará unidades de conservação em Minas Gerais.

A situação do lobo-guará é alarmante. Apesar de ser avistado com mais frequência, até mesmo em áreas urbanas, a espécie continua em declínio. A veterinária Flávia Fiori alerta para a disseminação de doenças de cães entre os lobos, que não possuem defesas naturais contra elas. O futuro do lobo-guará depende de ações efetivas de conservação e restauração de seu habitat.

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