- O projeto Conserv, do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam), paga produtores para preservar vegetação excedente na Amazônia.
- Desde 2020, mais de 20 mil hectares foram protegidos, com a maioria dos participantes mantendo a preservação após o fim da remuneração.
- Os proprietários receberam entre R$ 270 e R$ 350 por hectare preservado. Apenas um participante desmatou sua área após o término do pagamento.
- O projeto conta com o apoio das embaixadas dos Países Baixos e da Noruega e envolve grandes empresas do agronegócio, como Amaggi e SLC Agrícola.
- O Conserv busca parcerias para expandir o modelo, promovendo a conservação ambiental e a sustentabilidade econômica dos produtores.
O desmatamento ilegal na Amazônia continua sendo um desafio significativo, mas iniciativas inovadoras estão surgindo. O projeto Conserv, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam), tem se destacado ao remunerar produtores rurais para preservar áreas de vegetação que excedem os limites legais. Desde 2020, o projeto protegeu mais de 20 mil hectares de florestas, com a maioria dos participantes mantendo a preservação mesmo após o término da remuneração.
O Conserv, que contou com o apoio das embaixadas dos Países Baixos e da Noruega, firmou contratos com fazendas em Mato Grosso e Pará. Os proprietários receberam entre R$ 270 e R$ 350 por hectare de vegetação preservada. Após o encerramento da remuneração em outubro de 2024, apenas um dos participantes desmatou sua área. André Guimarães, diretor executivo do Ipam, enfatiza a importância de incentivar os produtores a manterem a vegetação, além de combater o desmatamento ilegal.
Um exemplo é Carlos Roberto Simoneti, proprietário de uma fazenda em Sapezal (MT), que utilizou parte da remuneração para implementar medidas de prevenção a incêndios. Ele destaca que, após a adesão ao projeto, não houve mais queimadas em sua propriedade. Simoneti acredita que a preservação é fundamental para as futuras gerações, afirmando que é preciso pensar no legado que deixarão.
Sustentabilidade e Parcerias
O projeto também envolveu grandes empresas do agronegócio, como Amaggi e SLC Agrícola, que participaram para comprovar a viabilidade de preservar áreas nativas enquanto obtêm retorno financeiro. Tiago Agne, gerente de sustentabilidade da SLC Agrícola, ressalta que o Conserv serve como um modelo para demonstrar que é possível conciliar produção e conservação.
Mato Grosso, segundo estado que mais desmata na Amazônia, apresenta um cenário preocupante, com mais de 7 milhões de hectares de áreas que poderiam ser legalmente desmatadas. Guimarães sugere que mecanismos existentes, como o Plano Safra, poderiam ser adaptados para oferecer melhores condições de crédito a produtores que optem pela preservação.
O Conserv está em sua nova fase, buscando parcerias com agentes financeiros e empresas para expandir o modelo. A iniciativa mostra que, com incentivos adequados, é possível promover a conservação ambiental e garantir a sustentabilidade econômica dos produtores.
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