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China luta para salvar o boto sem espinha da extinção iminente

Aumento populacional do boto sem espinha sugere recuperação do ecossistema do Yangtze após proibição da pesca e esforços de conservação locais

Um golfinho do Yangtze está em uma vitrine em um museu (Foto: Reprodução)
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  • A proibição total da pesca no rio Yangtze, em vigor há quase cinco anos, resultou em um aumento de 25% na população de botos sem espinha.
  • A medida foi adotada após a extinção do golfinho do rio Yangtze e do peixe remo, visando proteger a biodiversidade local.
  • Atualmente, estima-se que existam cerca de 1.200 botos na natureza, sendo o único predador de topo do rio.
  • Apesar do crescimento da população, a espécie ainda enfrenta ameaças, como a poluição sonora e a construção da Barragem das Três Gargantas.
  • A comunidade local também participa da preservação, com ações como o registro de avistamentos de botos e a interrupção do tráfego de barcos para resgatar animais em perigo.

Os cientistas chineses estão empenhados em salvar o boto sem espinha do rio Yangtze, cuja população aumentou em 25% nos últimos cinco anos devido à proibição total da pesca na região. A medida, que entrou em vigor há quase cinco anos, foi implementada após a extinção do golfinho do rio Yangtze e do peixe remo, destacando a urgência em proteger a biodiversidade local.

O Instituto de Hidrobiologia em Wuhan, próximo ao Yangtze, abriga os corpos preservados do golfinho baiji e do peixe remo, simbolizando a perda irreparável da fauna aquática. O professor Wang Xi, do instituto, enfatiza a importância do boto sem espinha, que agora é o único predador de topo do rio. Atualmente, estima-se que restem cerca de 1.200 botos na natureza.

A proibição da pesca, idealizada pelo professor Cao Wenxuan em 2006, foi um passo drástico, resultando na perda de emprego para 220 mil pescadores. Apesar dos desafios econômicos, os cientistas acreditam que a medida é essencial para a recuperação do ecossistema. A pesquisa publicada na *Bulletin of the Chinese Academy of Sciences* revela um aumento significativo na população de peixes desde a implementação da proibição.

Desafios e Avanços

Entretanto, a sobrevivência do boto sem espinha ainda enfrenta ameaças, como a poluição sonora causada por embarcações. O professor Wang Xi alerta que o barulho pode prejudicar a comunicação dos animais, contribuindo para a extinção de outras espécies. Além disso, a construção da Barragem das Três Gargantas afetou a migração de peixes, dificultando a recuperação de espécies como o esturjão chinês.

A comunidade local também se mobiliza em prol da preservação. Yang He, um fotógrafo amador, dedica-se a registrar a vida dos botos e a relatar avistamentos à equipe científica. Sua ação resultou na interrupção do tráfego de barcos para resgatar um boto preso em redes, que estava grávida.

Os números são promissores: na década de 1990, havia cerca de 3.300 botos no Yangtze, mas a população caiu pela metade até 2006. Com as novas medidas, a recuperação parece viável, refletindo a saúde do ecossistema. Wang Ding, membro da União Internacional para a Conservação da Natureza, afirma que o aumento dos botos é um indicativo positivo para o futuro do rio Yangtze.

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