- O relatório “Sistemas Agroalimentares e Amazônias” aponta que a produção e o consumo de alimentos na Amazônia são responsáveis por grande parte do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.
- Lançado pela rede Uma Concertação pela Amazônia e pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), o estudo será apresentado na COP30.
- A pesquisa destaca a pecuária e as monoculturas como principais causas da degradação ambiental e da desigualdade na região.
- A agricultura familiar e a recuperação de pastos degradados são propostas como soluções para uma produção de alimentos sustentável.
- O relatório sugere integrar lavoura, pecuária e floresta, além de conectar a agricultura familiar a programas governamentais para fortalecer a economia local e combater a fome.
O relatório “Sistemas Agroalimentares e Amazônias” revela que a produção e o consumo de alimentos na Amazônia são responsáveis por grande parte do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Lançado pela rede Uma Concertação pela Amazônia e pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), o estudo será apresentado na COP30. A pesquisa destaca que a pecuária e as monoculturas têm contribuído para a degradação ambiental, aumentando a desigualdade e tornando a região vulnerável às mudanças climáticas.
A agricultura familiar e a recuperação de pastos degradados são apontadas como soluções viáveis para uma transição justa na produção de alimentos. Lívia Pagotto, secretária-executiva da rede, afirma que é possível produzir alimentos de forma sustentável, garantindo qualidade para a população local e contribuindo para o combate à emergência climática. O relatório, que envolveu 48 autores e ouviu a população local, mapeia tanto os desafios, como a falta de infraestrutura, quanto as soluções já implementadas com sucesso.
Entre as propostas, destaca-se a integração entre lavoura, pecuária e floresta, além do fortalecimento da agricultura familiar. Essa abordagem permite que culturas como mandioca, castanha e açaí sejam cultivadas em conjunto, gerando renda e preservando a floresta. Geórgia Jordão, responsável pela área de Conhecimento da Concertação, ressalta que o Brasil só alcançará suas metas climáticas se promover uma mudança na forma de produzir e consumir alimentos na Amazônia.
Conectar a agricultura familiar a programas governamentais, como o que compra alimentos para escolas, é uma estratégia para levar alimentos frescos e típicos da região às cidades, além de impulsionar a economia local. Thais Ferraz, diretora Programática do iCS, enfatiza que a transformação dos sistemas agroalimentares é crucial para o Brasil atingir suas metas climáticas, promovendo justiça social e segurança alimentar.
O relatório conclui que é fundamental colocar a Amazônia no centro das políticas públicas, unindo esforços em diferentes níveis de governo para apoiar uma produção diversificada que combata a fome e restaure o meio ambiente. Incentivar a produção local é uma maneira eficaz de enfrentar a fome e regenerar os ecossistemas, integrando a agricultura familiar à economia formal.
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