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Cheias devastam Paquistão e número de mortos se aproxima de 800 vítimas

Chuvas intensas no Paquistão provocam mais mortes e riscos de inundações, enquanto a falta de alertas agrava a tragédia em comunidades vulneráveis

Arif Khan foi um dos muitos que ajudaram nos esforços de resgate (Foto: BBC)
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  • Chuvas de monções no Paquistão causaram mais de 800 mortes em 2023, com a província de Khyber Pakhtunkhwa sendo a mais afetada.
  • Recentes inundações arrastaram casas e deixaram pessoas presas sob os escombros.
  • Desde junho, cerca de 750 pessoas morreram devido às chuvas, com alertas sobre inundações em rios como Chenab e Indo.
  • Um deslizamento de terra em Gilgit-Baltistan criou um lago que representa risco de ruptura.
  • A falta de investimento em infraestrutura e a priorização de gastos com defesa dificultam a resiliência climática no país.

Chuvas de monções no Paquistão causam mais mortes e destruição

As chuvas de monções no Paquistão resultaram em novas tragédias, com o número de mortos chegando a 800 em 2023. A província de Khyber Pakhtunkhwa é a mais afetada, onde uma recente inundação arrastou casas e deixou várias pessoas presas sob os escombros.

Na pequena vila do distrito de Swabi, duas crianças foram retiradas do barro, enquanto os moradores, sem lágrimas, expressavam sua indignação pela falta de avisos do governo. “Por que não nos avisaram antes?”, questionou um dos habitantes. Apesar da presença de equipes de resgate, a falta de equipamentos adequados dificultou as operações.

Aumento das chuvas e riscos iminentes

Desde junho, as chuvas mataram cerca de 750 pessoas no país. O Departamento Meteorológico do Paquistão (PMD) emitiu alertas sobre a possibilidade de inundações em rios críticos, como o Chenab e o Indo, que podem atingir níveis alarmantes nas próximas horas. Em Gilgit-Baltistan, um deslizamento de terra criou um lago que representa um risco significativo de ruptura.

Os especialistas alertam que as chuvas devem continuar até 10 de setembro, aumentando a preocupação com a segurança da população. O Paquistão, um dos países mais vulneráveis a desastres climáticos, já enfrentou tragédias semelhantes, com 1.700 mortes em 2022.

Desafios e falta de recursos

A geografia do Paquistão o torna suscetível a desastres naturais, exacerbados pelas mudanças climáticas. Dr. Syed Faisal Saeed, do PMD, afirma que as chuvas monçônicas devem aumentar nas próximas décadas. Apesar de contribuir com menos de 1% das emissões globais de gases de efeito estufa, o país enfrenta um alto custo por “pecados internacionais”, segundo Dr. Amjad Ali Khan, membro da Assembleia Nacional.

A falta de investimento em infraestrutura e a priorização de gastos com defesa em detrimento de medidas de resiliência climática são preocupações levantadas por especialistas. O orçamento do Ministério de Mudanças Climáticas foi reduzido para 9,7 milhões de dólares, enquanto os gastos com defesa aumentaram para 9 bilhões de dólares.

Necessidade de um sistema de alerta eficaz

A previsão de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, é um desafio. O PMD está trabalhando para melhorar seus sistemas de alerta, mas a comunicação em áreas rurais é limitada. Iniciativas com a ONU visam desenvolver métodos para alertar comunidades vulneráveis.

Enquanto isso, a população continua a sofrer com as consequências das inundações. Em Karachi, a falta de drenagem adequada e a construção irregular agravam a situação. A Autoridade Nacional de Gestão de Desastres (NDMA) relatou que cerca de 30% das mortes deste ano foram causadas por desabamentos de casas.

O Paquistão busca apoio internacional para enfrentar esses desafios climáticos, mas a implementação de soluções eficazes depende de um compromisso real com a resiliência e a proteção das comunidades afetadas.

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