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Dinossauros de pescoço longo podiam se erguer sobre duas patas, aponta pesquisa

Pesquisa revela que saurópodes, como Brachiosaurus e Dreadnoughtus, podiam se erguer sobre patas traseiras, alterando nossa compreensão sobre esses gigantes

Foto: Reprodução
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  • Uma pesquisa brasileira revela que os saurópodes, como Brachiosaurus e Dreadnoughtus, podiam se erguer sobre as patas traseiras.
  • O estudo foi liderado pelo paleontólogo Julian Silva Júnior, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e publicado na revista Paleontology.
  • A equipe utilizou simulações digitais para analisar fêmures fossilizados de sete espécies diferentes, aplicando a análise por elementos finitos (FEA).
  • Os resultados mostraram que todos os saurópodes testados tinham a capacidade de se levantar, mas com variações significativas entre as espécies.
  • A postura bípede poderia ter funções como alcançar folhas altas, acasalamento e defesa contra predadores.

Durante milhões de anos, os saurópodes, como o Brachiosaurus e o Dreadnoughtus, dominaram a Terra como os maiores animais terrestres. Tradicionalmente, eram vistos como criaturas pesadas que se moviam lentamente sobre quatro patas. No entanto, uma nova pesquisa brasileira revela que esses gigantes poderiam se erguer sobre as patas traseiras, desafiando a visão convencional.

O estudo, liderado pelo paleontólogo Julian Silva Júnior, da Unesp, utilizou simulações digitais para investigar essa habilidade. Publicado na revista *Paleontology*, o trabalho analisou fêmures fossilizados de sete espécies diferentes, digitalizados em 3D. A equipe aplicou a análise por elementos finitos (FEA), uma técnica comum na engenharia, para simular as forças que atuariam sobre os ossos se os saurópodes tentassem se erguer.

Os resultados indicaram que todas as espécies testadas tinham a capacidade de se levantar em duas patas. Contudo, as diferenças eram notáveis: saurópodes menores, como o Neuquensaurus, apresentavam ossos mais robustos e suportavam melhor o esforço. Em contraste, o colossal Dreadnoughtus, que podia ultrapassar 60 toneladas, enfrentava estresses 16 vezes maiores no fêmur, tornando o movimento menos eficiente.

Implicações do Comportamento Bípede

A postura bípede poderia ter várias funções. Durante o Cretáceo, as florestas eram dominadas por araucárias que ultrapassavam 40 metros de altura. Para os saurópodes, erguer-se poderia ser uma estratégia para alcançar folhas inacessíveis, semelhante ao comportamento observado em elefantes modernos. Além disso, essa habilidade poderia estar relacionada ao acasalamento e à defesa, permitindo posturas de intimidação contra predadores.

O estudo não encerra o debate sobre a biomecânica dos saurópodes, mas abre novas possibilidades para entender como esses gigantes se moviam e interagiam com o ambiente. Julian Silva Júnior destaca a importância de investigar questões biomecânicas, já que não existem equivalentes vivos dos saurópodes. Essa pesquisa contribui para uma reconstrução mais realista da vida desses incríveis animais que habitaram a Terra.

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