- A exposição “Paiter Suruí, Gente de Verdade” está em cartaz no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, até novembro.
- Com mais de 800 fotografias, a mostra retrata a vida cotidiana dos Paiter Suruí e desafia estereótipos sobre indígenas.
- O Coletivo Lakapoy, formado por jovens comunicadores indígenas, curou a exposição, utilizando imagens da comunidade e arquivos da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.
- Os Paiter Suruí habitam cerca de 30 aldeias na Terra Indígena Siete de Setembro, reconhecida em 1983, e enfrentam invasões de madeireiros e garimpeiros.
- A exposição também destaca práticas sustentáveis da comunidade, como o cultivo ecológico de café e o uso de tecnologia para proteger suas terras.
Exposição “Paiter Suruí, Gente de Verdade”
A exposição “Paiter Suruí, Gente de Verdade” está em cartaz no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, até novembro. Com mais de 800 fotografias, a mostra revela a vida cotidiana dos Paiter Suruí, desafiando estereótipos comuns sobre os indígenas.
Os Paiter Suruí foram contatados pela primeira vez em 1969. Desde então, a fotografia se tornou uma ferramenta importante para a comunidade. A exposição inclui imagens de celebrações familiares, partidas de futebol e visitas à igreja, retratando a realidade atual da maioria dos indígenas brasileiros.
Coletivo Lakapoy
O Coletivo Lakapoy, formado por jovens comunicadores indígenas, é responsável pela curadoria da exposição. Eles buscaram fotos nas casas da comunidade e também acessaram arquivos da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, onde estão guardadas as primeiras imagens dos Paiter Suruí. A ativista Txai Suruí, comissária da mostra, destaca a importância do reencontro com essas imagens, que permitiu que os mais velhos reconhecessem parentes já falecidos.
As fotos expostas são predominantemente de autoria dos próprios Paiter Suruí, refletindo suas vivências e histórias. “Durante muito tempo, nossa história foi contada por outros. Agora, estamos começando a mudar isso,” afirma Txai Suruí.
Território e Sustentabilidade
Os Paiter Suruí habitam cerca de 30 aldeias na Terra Indígena Siete de Setembro, reconhecida em 1983. O território, que equivale a 250 mil campos de futebol, enfrenta invasões constantes de madeireiros e garimpeiros. A comunidade tem sido pioneira no uso de tecnologia para proteger suas terras, utilizando drones para monitorar atividades ilegais.
Além disso, os Paiter Suruí implementaram práticas sustentáveis, como o cultivo ecológico de café e créditos de carbono, há quase 20 anos. A exposição também apresenta retratos recentes de Ubiratan Suruí, o primeiro fotógrafo profissional da comunidade, e vídeos de influenciadores que compartilham a vida nas aldeias nas redes sociais.
A mostra não se limita a questões urgentes, mas também destaca o cotidiano e as tradições que coexistem com a modernidade, como o casamento avuncular e a presença de equipes de futebol feminino.
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