- Dois megaprojetos de pesquisa começaram em 2024 para estimar a diversidade de insetos na Amazônia.
- O projeto BioInsecta, coordenado pelo professor sênior Dalton de Souza Amorim, da Universidade de São Paulo (USP), utiliza novas metodologias de coleta e sequenciamento de DNA.
- A Amazônia abriga cerca de 1,1 milhão de espécies de insetos, mas muitas ainda não foram descritas.
- As expedições ocorrerão na reserva ZF-2, próxima a Manaus, com armadilhas que coletarão insetos a mais de 25 metros de altura.
- O projeto visa coletar mais de 5 milhões de espécimes e sequenciar cerca de 500 mil, contribuindo para a conservação da biodiversidade e o conhecimento das culturas locais.
Dois megaprojetos de pesquisa iniciados em 2024 têm como objetivo estimar a diversidade de insetos na Amazônia, o bioma mais biodiverso do planeta. Coordenado pelo professor sênior Dalton de Souza Amorim, da USP, o projeto BioInsecta busca acelerar a identificação de espécies utilizando novas metodologias de coleta e sequenciamento de DNA.
Com 1,1 milhão de espécies de insetos conhecidas, muitos ainda permanecem sem descrição. A complexidade da Amazônia, com seus 700 milhões de hectares, torna a identificação das espécies um desafio. O professor Amorim destaca que a pesquisa é urgente, especialmente diante da perda acelerada de espécies e do risco de colapso do ecossistema amazônico devido ao desmatamento e à mudança climática.
A equipe do projeto realizará expedições na reserva ZF-2, próxima a Manaus, onde armadilhas inovadoras permitirão coletar insetos a mais de 25 metros de altura. Essas armadilhas, chamadas de “cascatas”, são projetadas para acessar a fauna que vive nas copas das árvores, um ambiente pouco estudado até agora.
O BioInsecta, em parceria com o INCT-BioDossel do Inpa, integra diversas áreas do conhecimento, incluindo taxonomia, ecologia e educação científica. O projeto visa coletar mais de 5 milhões de espécimes e sequenciar cerca de 500 mil exemplares, permitindo uma amostragem significativa da biodiversidade. Amorim ressalta que a pesquisa ajudará a responder questões cruciais sobre a distribuição das espécies e os impactos da remoção de áreas florestais.
Além disso, o projeto reconhece a importância do conhecimento das nações originárias, que têm uma relação profunda com a biodiversidade da Amazônia. A preservação da floresta está intrinsecamente ligada à preservação das culturas e idiomas desses povos. Os dados gerados pelo BioInsecta serão fundamentais para futuras estratégias de conservação e restauração da Amazônia.
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