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Anta resgatada após incêndio florestal perde a visão e não poderá retornar à natureza

Queimadas na Mata Atlântica ameaçam a anta, com resgates em alta e poucos casos de reabilitação, evidenciando a urgência da conservação

Anta foi resgatada no Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP) (Foto: Apass)
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  • Uma anta (Tapirus terrestris) foi resgatada em Teodoro Sampaio, São Paulo, após um incêndio florestal.
  • O animal, uma fêmea adulta, apresentava queimaduras graves em cerca de 70% do corpo e não poderá retornar à natureza.
  • O resgate foi realizado por brigadistas do Parque Estadual do Morro do Diabo, com apoio da Polícia Militar Ambiental.
  • Atualmente, a anta está sob cuidados intensivos na Associação Protetora de Animais Silvestres (Apass) e se alimenta e bebe água voluntariamente.
  • Em 2024, foram registrados 94 resgates de animais vítimas de incêndios na região, com 53 mortes e apenas duas reabilitações bem-sucedidas.

Um caso alarmante de resgate de uma anta (Tapirus terrestris) ocorreu em Teodoro Sampaio, São Paulo, após um incêndio florestal. A fêmea adulta foi encontrada na noite de quinta-feira (21) com queimaduras graves e sem possibilidade de retorno à natureza. O resgate foi realizado por brigadistas do Parque Estadual do Morro do Diabo, em colaboração com a Polícia Militar Ambiental.

O animal, que está sob cuidados intensivos na Associação Protetora de Animais Silvestres (Apass), apresenta queimaduras de 1º, 2º e 3º graus em cerca de 70% do corpo, além de perda total da visão e comprometimento de uma orelha. Apesar da gravidade das lesões, a anta se alimenta e bebe água voluntariamente. A diretora executiva da Apass, Natália Tomaz Inácio de Godoy, destacou a importância do apoio recebido para o resgate e tratamento do animal.

As queimadas na região têm impactos devastadores sobre a fauna local. Em 2024, foram registrados 94 resgates de animais vítimas de incêndios, com 53 mortes e apenas 2 reabilitações bem-sucedidas. A situação da anta é crítica, com estudos apontando que quase 100% das populações na Mata Atlântica estão ameaçadas de extinção. A espécie, conhecida como “jardineira das florestas”, desempenha um papel crucial na dispersão de sementes, essencial para a biodiversidade.

As ameaças à anta incluem caça, atropelamentos e a contaminação por agroquímicos, especialmente em áreas como o Pontal do Paranapanema. A pesquisadora Patrícia Medici alertou que a população de antas na região é pequena e isolada, o que compromete sua viabilidade genética. Medidas de proteção e a criação de corredores ecológicos são essenciais para a conservação da espécie.

A situação da anta na Mata Atlântica é alarmante, mas iniciativas de conservação estão sendo implementadas. O Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) trabalha para conectar fragmentos de floresta e promover a conscientização sobre a importância da preservação. A colaboração entre órgãos ambientais e a sociedade civil é fundamental para garantir a sobrevivência da anta e de outras espécies ameaçadas.

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