- A urbanização nas cidades africanas causa problemas de infraestrutura, como a falta de drenagem, resultando em desastres naturais e deslocamento populacional.
- Um estudo revelou que 118.600 pessoas foram deslocadas na República Democrática do Congo (RDC) entre 2004 e 2023 devido à expansão de 2.922 valas urbanas.
- A previsão é que centenas de milhares de pessoas sejam afetadas nos próximos dez anos.
- As valas, que se expandem em solos arenosos, aumentaram quase 740 quilômetros em 26 das 47 cidades analisadas entre 2021 e 2023.
- A taxa de deslocamento aumentou mais do que o dobro após 2020, com relatos de mortes devido à rápida expansão das valas.
A urbanização acelerada em cidades africanas tem gerado sérios problemas de infraestrutura, como a falta de drenagem adequada, resultando em desastres naturais e deslocamento populacional. Um estudo recente revelou que 118.600 pessoas foram deslocadas na República Democrática do Congo (RDC) entre 2004 e 2023 devido à expansão de 2.922 valas urbanas. A previsão é alarmante: centenas de milhares de pessoas poderão ser afetadas nos próximos dez anos.
Os pesquisadores, em um artigo publicado na revista Nature, destacam que a situação é resultado de uma combinação de fatores naturais e humanos. Matthias Vanmaercke, geógrafo da Universidade Católica de Leuven, enfatiza que essa crise é “subestimada e severamente subpesquisada”. As valas, conhecidas como “gullies”, estão se expandindo em cidades construídas sobre solos arenosos e com drenagem inadequada. Durante chuvas intensas, a água se acumula em ruas e telhados, criando buracos profundos que podem se estender por centenas de metros.
Os dados coletados entre 2021 e 2023 mostram que as valas se estenderam por quase 740 quilômetros em 26 das 47 cidades analisadas. A pesquisa revelou que apenas 46 das valas estavam presentes na década de 1950, indicando que a expansão é diretamente atribuível à urbanização contínua. Em 99% dos casos, as valas aumentaram pelo menos 10 metros quadrados entre 2004 e 2023.
A análise da densidade populacional em relação ao mapeamento das valas permitiu estimar que a taxa de deslocamento aumentou mais do que o dobro após 2020. O geomorfólogo Guy Ilombe Mawe, da Universidade Oficial de Bukavu, alerta que a ampliação das valas pode ser catastrófica e fatal, deixando famílias sem alternativas seguras. Em uma visita a Kinshasa, capital da RDC, os pesquisadores encontraram uma mãe que perdeu vários filhos quando uma vala se expandiu repentinamente, resultando na morte de pelo menos 40 pessoas naquela noite.
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