- Pesquisadores identificaram mais de mil revistas problemáticas entre quinze mil analisadas, utilizando uma ferramenta de inteligência artificial.
- O estudo, publicado na revista Science Advances, destaca a preocupação com a qualidade das revistas de acesso aberto, que frequentemente cobram taxas de publicação sem revisões rigorosas.
- A ferramenta analisa informações de sites de revistas e artigos, buscando sinais de práticas editoriais duvidosas, como tempos de publicação curtos e altas taxas de autocitação.
- Apesar de ter sinalizado mil quatrocentas e trinta e sete revistas como questionáveis, estima-se que cerca de trezentas e quarenta e cinco classificações possam estar erradas.
- O coautor do estudo, Daniel Acuña, ressalta a importância da avaliação humana no processo de validação das revistas.
Pesquisadores identificaram mais de 1.000 revistas problemáticas em um universo de 15.000 títulos analisados, utilizando uma ferramenta de inteligência artificial (IA). O estudo, publicado em *Science Advances* em 27 de agosto, revela a crescente preocupação com a qualidade das revistas de acesso aberto, que frequentemente cobram taxas para publicação sem realizar revisões rigorosas.
A ferramenta de IA examina informações de sites de revistas e artigos publicados, buscando sinais de práticas editoriais duvidosas. Entre os critérios utilizados estão tempos de publicação curtos, altas taxas de autocitação e a transparência sobre taxas e licenciamento. Jennifer Byrne, pesquisadora da Universidade de Sydney, destaca que existem muitas revistas que operam como se fossem respeitáveis, mas que não merecem essa classificação.
Embora a IA tenha identificado 1.437 revistas como questionáveis, os pesquisadores estimam que cerca de 345 dessas classificações podem estar erradas, incluindo títulos descontinuados e séries de livros. Por outro lado, a ferramenta não conseguiu identificar 1.782 revistas problemáticas que deveriam ter sido sinalizadas.
Importância da Avaliação Humana
O coautor do estudo, Daniel Acuña, enfatiza que a IA não deve substituir a avaliação humana. Ele afirma que um especialista deve sempre participar do processo de validação antes de qualquer ação ser tomada. A ferramenta, atualmente em versão beta fechada, pode ser utilizada por organizações que indexam revistas para revisar seus portfólios.
A Directory of Open Access Journals (DOAJ), que realiza verificações manuais, já observou um aumento de 40% nas investigações de revistas problemáticas desde 2021. Cenyu Shen, vice-chefe de qualidade editorial do DOAJ, alerta que as táticas de editores predatórios estão se tornando mais sofisticadas, com casos de aquisição de revistas legítimas por publicadores questionáveis.
A combinação de ferramentas de IA com avaliações humanas pode acelerar a identificação de revistas que não atendem aos padrões de qualidade, ajudando a proteger a integridade da pesquisa acadêmica.
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