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Seca de 13 anos pode ter causado colapso da Maia em região afetada

Estudo revela que seca de treze anos impactou drasticamente a agricultura maia e acelerou o colapso da civilização na península de Yucatán

Maior salão das Grutas Tzabnah, no norte de Yucatán, onde foi coletada a estalagmite que permitiu reconstruir o regime de chuvas no período de declínio maia (Foto: Reprodução)
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  • Um estudo recente publicado na revista *Science Advances* revela que uma seca de treze anos, entre novecentos e vinte e nove e novecentos e quarenta e dois d.C., foi a mais longa registrada e contribuiu para o colapso da civilização maia.
  • A estiagem severa coincidiu com um período de instabilidade política e declínio urbano no norte da península de Yucatán, no México.
  • A pesquisa identificou essa seca como uma das oito estiagens prolongadas que afetaram a região há mil anos, resultando em colheitas arruinadas e fome.
  • A análise de uma estalagmite nas Grutas Tzabnah permitiu reconstruir o regime de chuvas da época, mostrando que a disponibilidade de alimentos poderia ser reduzida em até oitenta e nove por cento durante secas extremas.
  • O estudo destaca que, apesar das crises, os maias não desapareceram e continuam a manter muitos aspectos de sua cultura, oferecendo lições sobre a relação entre clima e sociedade.

O colapso da civilização maia pode ter sido acelerado por uma seca de 13 anos, entre 929 e 942 d.C., conforme revela um estudo recente publicado na revista *Science Advances*. Essa estiagem, a mais longa já registrada, coincidiu com uma fase de instabilidade política e declínio urbano no norte da península de Yucatán, no México.

A pesquisa indica que essa seca severa foi uma das oito estiagens prolongadas que afetaram a região há mil anos. Para os maias, cuja agricultura dependia de culturas como milho, feijão e abóbora, a repetição de crises climáticas resultou em colheitas arruinadas e fome. O arqueólogo Daniel H. James, da University College London, destaca que crises prolongadas minavam a legitimidade dos governantes, que eram vistos como intermediários divinos.

Impacto na Agricultura

A análise de uma estalagmite coletada nas Grutas Tzabnah, em Tecoh, permitiu reconstruir o regime de chuvas da época. A pesquisa revelou que, em períodos de seca extrema, a disponibilidade de alimentos em Yucatán poderia ser reduzida em até 89%. O paleoclimatologista Heitor Evangelista, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, observa que essas secas coincidiram com o Período Quente Medieval, que afetou diversas regiões.

As respostas à crise climática variaram entre as cidades maias. Uxmal, por exemplo, interrompeu a construção de monumentos por volta de 950 d.C., enquanto Chichén Itzá manteve sua atividade política e econômica por mais tempo, devido a uma rede de comércio mais ampla. A pesquisadora Fernanda Lases Hernández, da Universidade Nacional Autónoma do México, ressalta que mesmo Chichén Itzá não conseguiu evitar o declínio total.

Lições para o Presente

Atualmente, a imprevisibilidade das chuvas continua a ser uma preocupação para os agricultores em Yucatán. Os maias desenvolveram técnicas como reservatórios e irrigação, mas essas soluções se mostraram insuficientes em longos períodos de estiagem. O aquecimento global tende a intensificar as secas na região, e a resiliência climática não depende apenas de tecnologia, mas também de coesão social.

O estudo destaca que, apesar das rupturas populacionais, os maias não desapareceram. Eles continuam a prosperar e a manter muitos aspectos de sua cultura. A pesquisa oferece um alerta contemporâneo sobre como o clima pode moldar sociedades inteiras, evidenciando a importância de aprender com o passado.

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