- A Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, pode enfrentar problemas semelhantes aos do Leblon devido ao avanço do mar e à degradação das dunas e restingas.
- Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) alerta que a região está vulnerável a ressacas, como as que já ocorrem na Zona Sul.
- O estudo do Laboratório de Geografia Marinha aponta que a perda das barreiras naturais expõe a orla a danos significativos, com a urbanização e a expansão de quiosques comprometendo as dunas frontais.
- No dia 29 de julho, uma ressaca inundou calçadões e ciclovias na Barra, arrastando lixo e móveis para áreas urbanas.
- O urbanista Canagé Vilhena destaca a necessidade de reverter a exploração da orla e propõe a restauração das dunas e restingas como solução.
A Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, pode enfrentar problemas semelhantes aos do Leblon devido ao avanço do mar e à degradação das dunas e restingas. Uma pesquisa da UFRJ, divulgada em 22 de agosto, alerta que a região está vulnerável a episódios de ressaca, como os que já ocorrem na Zona Sul.
O estudo, realizado pelo Laboratório de Geografia Marinha, aponta que a perda das barreiras naturais tem exposto a orla a danos significativos. As dunas frontais, que atuam como proteção contra ondas fortes, estão sendo comprometidas pela urbanização e pela expansão de quiosques na faixa de areia. Flávia Lins de Barros, pesquisadora da UFRJ, destaca que a degradação das restingas e dunas pode levar a um aumento na frequência de ressacas na Barra em um futuro próximo.
A pesquisa analisou a vulnerabilidade das praias cariocas, do Leme à Macumba, e identificou que a Barra, embora ainda resista, corre o risco de perder sua capacidade de recuperação após eventos de ressaca. A pressão da urbanização e a elevação do nível do mar, impulsionada pelas mudanças climáticas, agravam a situação.
Impactos Visíveis
No dia 29 de julho, uma ressaca atingiu a Barra, inundando calçadões e ciclovias. Izabela Affonso, fundadora da SOS Praias Cariocas, relatou que a água chegou a invadir áreas urbanas, arrastando lixo e móveis. A situação não é nova; episódios semelhantes ocorreram em anos anteriores, levantando preocupações entre moradores e comerciantes.
A ocupação desordenada da orla, com quiosques invadindo áreas de proteção ambiental, é uma questão crítica. A prefeitura afirma estar organizando ações para conscientizar os proprietários sobre suas responsabilidades e direitos, enquanto a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (Smac) implementa projetos de recuperação de vegetação nativa.
A Necessidade de Ação
O urbanista Canagé Vilhena enfatiza a urgência de reverter a exploração intensiva da orla, que ignora o desenvolvimento sustentável. A pesquisa da UFRJ visa servir como base para políticas públicas que garantam a segurança das praias e a proteção das infraestruturas costeiras. As soluções propostas incluem a restauração das dunas e restingas, evitando intervenções de engenharia que possam agravar a situação.
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