- Um estudo publicado na revista Nature Communications aponta que 75% da redução das chuvas na estação seca da Amazônia desde 1985 é causada pelo desmatamento.
- A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de São Paulo, analisou dados de 35 anos e constatou uma perda de 15,8 milímetros de chuva por estação seca.
- A temperatura máxima na região aumentou cerca de 2 °C, com 16,5% desse aumento relacionado à perda de vegetação.
- A diminuição das chuvas impacta a produtividade do agronegócio e compromete os “rios voadores”, que transportam vapor d’água para outras regiões do Brasil.
- Se o desmatamento continuar, até 2035 a Amazônia poderá enfrentar um aumento de 2,64 °C nas temperaturas e uma queda de 28,3 milímetros de chuva por estação seca.
Um novo estudo publicado na revista Nature Communications revela que 75% da redução das chuvas na estação seca da Amazônia desde 1985 é atribuída ao desmatamento. A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), destaca que a derrubada da floresta tem um impacto maior nas precipitações do que as mudanças climáticas globais.
Os pesquisadores analisaram dados de 35 anos e descobriram que a Amazônia deixou de receber 15,8 milímetros de chuva por estação seca devido ao desmatamento. Além disso, a temperatura máxima na região aumentou cerca de 2 °C, sendo 16,5% desse aumento relacionado à perda de vegetação. O professor Marco Aurélio de Menezes Franco, um dos autores do estudo, enfatiza a importância da preservação da floresta para mitigar esses efeitos.
Impactos Diretos no Agronegócio
O estudo também aponta que a redução das chuvas afeta diretamente o agronegócio, especialmente a produtividade das safras. A diminuição da umidade, provocada pelo desmatamento, compromete os chamados “rios voadores”, que transportam vapor d’água para outras regiões do Brasil. Com isso, a produtividade das safrinhas, cultivo secundário após a safra principal, já é sentida no bolso dos produtores.
Além disso, a pesquisa alerta para os efeitos sobre os rios da região, que enfrentam níveis cada vez mais baixos, impactando a biodiversidade aquática e as comunidades que dependem da pesca e da agricultura de subsistência. O professor Franco destaca que, se o ritmo atual de desmatamento continuar, até 2035 a Amazônia poderá enfrentar uma elevação de 2,64 °C nas temperaturas máximas e uma queda de 28,3 milímetros de chuva por estação seca.
Urgência de Ações Eficazes
Os dados do estudo são cruciais para o debate internacional sobre mudanças climáticas, especialmente com a COP30 se aproximando. A pesquisa oferece um parâmetro objetivo para que governos e negociadores discutam o problema com base em evidências científicas. O professor Franco alerta que a Amazônia caminha para um ponto crítico, onde as condições podem se assemelhar às do Cerrado ou da Caatinga se o desmatamento não for controlado.
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