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Desmatamento reduz chuvas em 74% e eleva temperatura em 16% na Amazônia seca

Estudo da USP revela que desmatamento na Amazônia causa 74,5% da redução de chuvas e 16,5% do aumento de temperatura na região

Área de desmatamento de floresta próxima ao rio Negro em 2016, com alerta sobre possíveis impactos na precipitação e temperatura (Foto: Reprodução)
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  • Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) quantificaram os impactos do desmatamento na Amazônia.
  • O estudo revelou que o desmatamento é responsável por 74,5% da redução de chuvas e 16,5% do aumento da temperatura na região.
  • A pesquisa analisou dados de 2,6 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia Legal entre 1985 e 2020.
  • A precipitação anual na estação seca caiu cerca de 21 milímetros, sendo 15,8 milímetros atribuídos ao desmatamento.
  • Entre 1985 e 2023, a Amazônia perdeu 14% de sua vegetação nativa, equivalente a 553 mil quilômetros quadrados.

Desmatamento na Amazônia: Impactos Climáticos Quantificados

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) revelaram que o desmatamento na Amazônia é responsável por 74,5% da redução de chuvas e 16,5% do aumento da temperatura durante os meses de seca. Este estudo, publicado na revista *Nature Communications*, é o primeiro a quantificar os efeitos da perda de vegetação e das mudanças climáticas globais na região.

Os cientistas analisaram dados de 2,6 milhões de km² da Amazônia Legal entre 1985 e 2020, utilizando modelos estatísticos para separar os impactos do desmatamento das mudanças climáticas globais. A pesquisa mostrou que a precipitação anual na estação seca caiu cerca de 21 mm, com 15,8 mm atribuídos ao desmatamento. A temperatura máxima aumentou cerca de 2 °C, sendo que 16,5% desse aumento é decorrente da perda florestal.

Importância da Conservação

O professor Luiz Augusto Toledo Machado, do Instituto de Física da USP, destacou que os resultados reforçam a necessidade de preservar a floresta para manter a resiliência climática. Ele enfatizou que os impactos do desmatamento são mais intensos nos primeiros 10% a 40% de perda da cobertura florestal. O professor Marco Aurélio Franco, primeiro autor do estudo, alertou que a exploração da floresta deve ser feita de forma sustentável.

A Amazônia desempenha um papel crucial na regulação do clima global, sendo responsável pela formação dos chamados “rios voadores”, que abastecem outros biomas. O desmatamento altera esse ciclo de chuvas, intensificando a estação seca e aumentando os incêndios florestais.

Dados Alarmantes

Entre 1985 e 2023, a Amazônia perdeu 14% de sua vegetação nativa, equivalente a 553 mil km², principalmente devido à pastagem. Apesar de uma redução no desmatamento entre 2024 e 2025, o desafio de conter a degradação persiste, especialmente em relação ao uso do fogo. A pesquisa alerta que, se o desmatamento continuar, a precipitação total e a temperatura na região podem sofrer novas alterações.

Os cientistas utilizaram dados de sensoriamento remoto e reanálises de longo prazo para chegar a essas conclusões. O aumento das taxas de dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) foi atribuído principalmente às emissões globais. O estudo conclui que a preservação da Amazônia é vital para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e garantir a saúde do ecossistema.

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