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Circulação das águas do Atlântico pode afetar chuvas na Amazônia até 2100

Estudo alerta para o enfraquecimento da Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico, com riscos severos para a Amazônia e o clima global

Equipe de cientistas da Alemanha, Suíça e Brasil discute os efeitos da redução drástica do regime de chuvas no norte da Amazônia (Foto: Reprodução)
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  • A Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico (Amoc) enfrenta um enfraquecimento sem precedentes após 6.500 anos de estabilidade, devido à ação humana.
  • Um estudo publicado na Nature Communications revela que a Amoc, que transporta calor e nutrientes entre os oceanos, se manteve estável em torno de 18 Sverdrups até o presente.
  • O enfraquecimento pode causar reduções significativas de chuvas no norte da Amazônia, afetando também regiões do Brasil, Colômbia, Venezuela e Guianas.
  • Além da Amazônia, a alteração pode impactar padrões de chuvas em todo o cinturão tropical, incluindo o sistema de monções na Índia e no Sudeste Asiático.
  • Pesquisadores alertam para a possibilidade de um ponto de não retorno no sistema climático global, destacando a urgência de ações antes da COP30, que ocorrerá em novembro em Belém, no Pará.

A Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico (Amoc) é essencial para o clima global, atuando como um motor que transporta calor e nutrientes entre os oceanos. Um novo estudo revela que, após 6.500 anos de estabilidade, a Amoc enfrenta um enfraquecimento sem precedentes devido à ação humana, o que pode impactar severamente o regime de chuvas na Amazônia.

Pesquisadores da Alemanha, Suíça e Brasil, em um trabalho publicado na Nature Communications, combinaram dados de campo e modelos climáticos para avaliar a intensidade da Amoc ao longo do Holoceno. Utilizando elementos radioativos, como tório-230 e protactínio-231, a equipe conseguiu reconstruir a circulação oceânica, revelando que a Amoc se manteve estável em torno de 18 Sverdrups até o presente.

O estudo indica que o enfraquecimento da Amoc pode resultar em reduções significativas de chuvas no norte da Amazônia, a região mais preservada da floresta. Cristiano Mazur Chiessi, professor da Universidade de São Paulo e coautor do estudo, destaca que as chuvas equatoriais devem se deslocar para o sul, afetando áreas do Brasil, Colômbia, Venezuela e Guianas.

Impactos Climáticos

Além da Amazônia, o enfraquecimento da Amoc pode alterar padrões de chuvas em todo o cinturão tropical, afetando também o sistema de monções na Índia e no Sudeste Asiático. O cenário futuro é alarmante, pois a mudança climática pode criar uma nova vulnerabilidade na Amazônia, que até agora tem sido um refúgio de biodiversidade.

Os pesquisadores alertam que o arrefecimento da Amoc pode configurar um ponto de não retorno no sistema climático global. Embora os monitoramentos diretos tenham começado em 2004, a resposta do oceano é mais lenta que a da atmosfera, dificultando a avaliação precisa do estado atual da Amoc. A urgência de ações robustas e rápidas é enfatizada, especialmente com a aproximação da COP30, que ocorrerá em novembro em Belém, no Pará.

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