- Um estudo publicado na revista Nature aponta que 213 ondas de calor entre 2000 e 2023 foram intensificadas pelo aquecimento global.
- Desses eventos, 55 seriam praticamente impossíveis sem as emissões de gases de efeito estufa de 180 grandes empresas.
- A pesquisa, liderada por Yann Quilcaille, da Escola Politécnica Federal de Zurique, revela que temperaturas extremas, como as da Espanha em 2022, foram 2,5 graus mais intensas devido ao aquecimento global.
- As 15 maiores empresas de combustíveis fósseis, incluindo a antiga União Soviética, a China, Aramco, Gazprom e ExxonMobil, são responsáveis por 25% do aumento da temperatura média global desde a Revolução Industrial.
- O estudo pode embasar ações legais contra essas empresas, como o processo de US$ 52 bilhões movido pelo governo do Oregon, que as responsabiliza pela onda de calor no Noroeste dos Estados Unidos em 2021.
Um novo estudo publicado na revista Nature revela que 213 ondas de calor registradas entre 2000 e 2023 foram intensificadas pelo aquecimento global. Desses eventos, 55 seriam praticamente impossíveis sem as emissões de gases de efeito estufa, atribuídas a 180 grandes empresas.
A pesquisa, liderada por Yann Quilcaille, da Escola Politécnica Federal de Zurique, destaca que as temperaturas extremas, como as observadas na Espanha em 2022, foram 2,5 graus mais intensas devido ao aquecimento global. As emissões históricas desses emissores contribuíram para 57% do aumento do dióxido de carbono desde 1854.
Entre as 15 maiores empresas de combustíveis fósseis, estão a antiga União Soviética, a China, Aramco, Gazprom e ExxonMobil, que juntas são responsáveis por 25% do aumento da temperatura média global desde a Revolução Industrial. O estudo sugere que a ciência da atribuição pode servir como base para ações legais contra essas empresas, fortalecendo a responsabilização por danos climáticos.
Os dados indicam que a influência do aquecimento global nas ondas de calor tem aumentado, com eventos entre 2000 e 2009 sendo 20 vezes mais prováveis e 200 vezes mais entre 2010 e 2019. Essa metodologia pode ser aplicada a outros fenômenos climáticos, como secas e incêndios.
Esses achados podem fortalecer processos judiciais contra empresas de combustíveis fósseis. Um exemplo é o processo de US$ 52 bilhões movido por um governo do Oregon, que responsabiliza essas empresas pela onda de calor que afetou o Noroeste dos EUA em 2021. A pesquisa representa um avanço significativo na atribuição de responsabilidade, permitindo que se responsabilize diretamente as empresas por eventos climáticos extremos.
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