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África exige investimentos para enfrentar desafios climáticos e não mais promessas

Líderes africanos firmam compromisso de US$ 150 bilhões para ações climáticas e propõem novos mecanismos financeiros em cúpula histórica

Estudante colhe berenjenas no huerto escolar da Escola Primária de Niñas Kangole, em Napaka, Uganda (Foto: Reprodução)
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  • A segunda Cúpula Africana sobre o Clima ocorreu em Adís Abeba entre 8 e 10 de setembro de 2023.
  • Os líderes africanos comprometeram US$ 150 bilhões para ações climáticas e propuseram dois novos mecanismos financeiros: o Africa Climate Innovation Compact (ACIC) e o African Climate Facility (ACF).
  • A África necessita de mais de US$ 3 trilhões até 2030 para atingir suas metas climáticas, recebendo apenas US$ 30 bilhões entre 2021 e 2022.
  • A declaração final da cúpula destacou a necessidade de US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, com ênfase na adaptação climática e segurança hídrica e alimentar.
  • A colaboração internacional é essencial para garantir o financiamento necessário e fortalecer as alianças entre economias africanas e europeias.

A segunda Cúpula Africana sobre o Clima, realizada em Adís Abeba, resultou em um compromisso histórico de US$ 150 bilhões para ações climáticas. O evento, que ocorreu entre 8 e 10 de setembro, destacou a urgência de investimentos e medidas concretas para enfrentar os desafios climáticos no continente.

Os líderes africanos propuseram a criação de dois novos mecanismos financeiros: o Africa Climate Innovation Compact (ACIC) e o African Climate Facility (ACF), com o objetivo de mobilizar US$ 50 bilhões anuais. Essas iniciativas visam fortalecer projetos locais e impulsionar soluções verdes, essenciais para a transição energética da África.

Apesar dos compromissos, a cúpula evidenciou uma lacuna de financiamento persistente. A África precisa de mais de US$ 3 trilhões até 2030 para atingir suas metas climáticas, recebendo apenas US$ 30 bilhões entre 2021 e 2022. A meta é aumentar a capacidade de fontes renováveis de 56 GW para 300 GW até 2030.

Desafios e Prioridades

A declaração final enfatizou a necessidade de US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, exigindo que países desenvolvidos contribuam para a adaptação das economias emergentes às novas realidades climáticas. O enviado especial do Quênia, Ali Mohamed, ressaltou que a África continua a liderar a agenda climática global, mesmo diante de desafios crescentes.

Os líderes também priorizaram a adaptação climática, com foco em segurança hídrica, alimentar e na proteção de ecossistemas. A Etiópia se candidatou para sediar a COP32 em 2027, propondo uma parceria chamada African Climate Innovation para desenvolver mil soluções até 2030, envolvendo universidades e comunidades.

Caminhos para a Ação

A cúpula abordou preocupações sobre “medidas unilaterais” que possam impactar o comércio, como tarifas sobre produtos de países com políticas climáticas menos rigorosas. A África, responsável por apenas 4% das emissões globais, enfrenta perdas significativas em seu PIB devido a eventos climáticos extremos.

A colaboração internacional é essencial para desbloquear o capital necessário e garantir que as ações climáticas sejam implementadas onde são mais necessárias. O fortalecimento das alianças entre economias africanas e europeias será crucial para o sucesso das iniciativas climáticas no continente.

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