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<li>O Irã atacou países do Golfo Pérsico com mísseis e drones na manhã de 12 de julho de 2026, após nova ofensiva dos Estados Unidos, e fechou o estreito de Ormuz por tempo indeterminado.</li>
<li>A Guarda Revolucionária afirmou ter atingido alvos militares ligados aos EUA na Jordânia, no Kuwait, em Omã e no Qatar.</li>
<li>O Qatar confirmou a interceptação de mísseis iranianos e informou que três pessoas ficaram feridas por estilhaços, incluindo uma criança.</li>
<li>A Jordânia anunciou que três mísseis caíram em seu território, causando danos materiais leves e sem vítimas.</li>
<li>Omã declarou que drones atingiram alvos na península de Musandam; o Kuwait disse ter interceptado ataques aéreos; o Comando Central dos EUA afirmou que o estreito de Ormuz permanece aberto para o tráfego.</li>
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O Irã executou neste domingo (12) sua mais ampla operação militar desde o início da guerra com os Estados Unidos, atacando simultaneamente instalações ligadas às forças americanas em quatro países do Golfo Pérsico: Jordânia, Kuwait, Omã e Catar. A ofensiva, conduzida pela Guarda Revolucionária, veio em resposta a três noites consecutivas de bombardeios americanos contra território iraniano e marca uma perigosa regionalização do conflito, que até então se concentrava no eixo Washington–Teerã.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária afirmou ter destruído um centro de comando e controle e hangares de drones na Jordânia, atingido um radar americano no Kuwait, atacado plataformas de apoio e reabastecimento de porta-aviões em Omã e destruído um centro de manutenção de jatos e uma instalação de comando no Catar. Na mesma nota, Teerã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, “até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região”.
Feridos no Catar e alerta em toda a região
O governo catari confirmou a interceptação de mísseis e informou que três pessoas, entre elas uma criança, ficaram feridas por estilhaços. Doha condenou a ação iraniana, classificando-a como uma grave escalada que dificulta os esforços de contenção da crise. É uma reação particularmente significativa vinda de um país que atua como mediador no conflito.
Na Jordânia, segundo a agência estatal de notícias, três mísseis disparados do território iraniano causaram danos materiais leves, sem vítimas. Sirenes de alerta soaram no Bahrein, e os Emirados Árabes Unidos chegaram a reportar a interceptação de mísseis e drones, mas depois esclareceram que as ameaças detectadas estavam fora de suas fronteiras.
Navio atacado perto de Omã
Ainda neste domingo, a agência britânica de segurança marítima UKMTO registrou um ataque a um navio a cerca de 17 km a leste da Península de Musandam, em Omã. A embarcação GFS Galaxy pegou fogo e a tripulação precisou abandoná-la em um bote salva-vidas. Autoridades omanenses informaram que 23 tripulantes foram resgatados e que as buscas por um desaparecido continuam.
O episódio se soma às advertências iranianas de sábado, quando a Guarda Revolucionária afirmou ter disparado tiros de advertência e detido uma embarcação que teria desativado seus sistemas de identificação ao tentar cruzar Ormuz por rota não autorizada.
A ofensiva americana que precedeu a resposta
Os ataques iranianos ocorreram um dia depois de o Comando Central das Forças Armadas dos EUA anunciar ter atingido 140 alvos militares no Irã, de um total de mais de 300 ao longo de três noites, com o objetivo declarado de degradar a capacidade iraniana de atacar embarcações civis no estreito. “O Irã fez uma má escolha. Agora está pagando o preço”, escreveu o secretário de defesa americano, Pete Hegseth, na rede X.
A mídia estatal iraniana relatou explosões nas cidades de Bandar Abbas, Sirik e Jask, na ilha de Qeshm e na província do Khuzistão. Segundo as agências Mehr e Tasnim, um militar da Marinha iraniana, o tenente Hamidreza Dehghani, morreu no bombardeio ao porto de Jask.
Diplomacia em colapso
O cerco diplomático se estreita sem resultados. No sábado, Irã e Omã negociaram a gestão do tráfego em Ormuz, com participação de delegação catari, e concordaram em manter discussões técnicas e jurídicas sobre a segurança da navegação. Mas o memorando de entendimento assinado por Washington e Teerã em 17 de junho, que previa cessar-fogo e prazo de 60 dias para uma solução definitiva, foi dado como encerrado pelo presidente Donald Trump em declarações repetidas desde a última quarta-feira (8).
O clima piorou ainda mais no sábado, quando o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, que acabara de sepultar o pai e antecessor, Ali Khamenei, morto por EUA e Israel no início da guerra, declarou que a “vingança” era “inevitável”. Na sexta, após relatos de um suposto plano iraniano para assassiná-lo, Trump ameaçou “dizimar e destruir completamente todas as regiões” do Irã caso o regime tente matá-lo.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, que também atua como mediador, pediu moderação a ambos os lados. Por ora, o apelo parece cair no vazio: com o Golfo inteiro na linha de fogo e a principal artéria energética do planeta bloqueada, o conflito entra em sua fase mais imprevisível.
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