- Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostra que as terras indígenas na Amazônia são essenciais para a saúde pública.
- A pesquisa, publicada na revista Communications Earth & Environment, analisou dados de saúde e cobertura florestal em toda a Pan-Amazônia ao longo de duas décadas.
- A proteção das florestas em terras indígenas está ligada à redução de doenças respiratórias e infecciosas, como pneumonias e malária.
- Em áreas com mais de 45% de cobertura florestal, houve uma diminuição significativa de internações hospitalares relacionadas a problemas respiratórios.
- O estudo indica que a conservação dessas áreas pode evitar mais de 15 milhões de casos de doenças anualmente, resultando em economia nos gastos com saúde.
Um estudo recente da Universidade de São Paulo (USP) revela que as terras indígenas na Amazônia são fundamentais para a saúde pública, especialmente na redução de doenças respiratórias e infecciosas. A pesquisa, publicada na revista Communications Earth & Environment, analisou dados de saúde e cobertura florestal ao longo de duas décadas em toda a Pan-Amazônia, que abrange nove países.
Os pesquisadores descobriram que a proteção das florestas em terras indígenas está diretamente ligada à diminuição de doenças, como pneumonias e malária. Em áreas onde a cobertura florestal ultrapassa 45%, a presença de terras indígenas está associada a uma redução significativa de casos de doenças respiratórias, resultando em menos internações hospitalares. Quatro em cada cinco registros de doenças analisados estavam relacionados a problemas respiratórios e cardiovasculares, exacerbados pela fumaça de queimadas.
Impacto das Queimadas
Entre 2001 e 2019, mais de 530 mil quilômetros quadrados de floresta foram afetados por queimadas, impactando diretamente a qualidade do ar. Os pesquisadores observaram que a poluição do ar, especialmente as partículas finas (PM2,5), está relacionada a 9 milhões de mortes prematuras globalmente. A pesquisa destaca que as áreas de floresta intacta ajudam a filtrar a fumaça e a limitar a interação entre humanos e vetores de doenças.
Além disso, o estudo enfatiza que o status legal das terras indígenas é crucial. Terras reconhecidas legalmente apresentam melhores condições de preservação e, consequentemente, menores taxas de doenças. Em contraste, áreas não tituladas tendem a estar em paisagens degradadas, onde o risco de doenças aumenta.
Contribuições para a Saúde Pública
Os resultados da pesquisa sugerem que a proteção das terras indígenas não apenas preserva a biodiversidade, mas também é vital para a saúde das populações locais. A pesquisa indica que a conservação dessas áreas pode evitar mais de 15 milhões de casos de doenças anualmente, gerando uma economia significativa em gastos com saúde.
Os pesquisadores concluem que a intersecção entre saúde e meio ambiente deve ser considerada nas políticas públicas. A preservação das terras indígenas é essencial para garantir um futuro mais saudável e sustentável para as comunidades que dependem desses ecossistemas.
Entre na conversa da comunidade