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Movimentação das águas frias do Pacífico não acontece e preocupa cientistas

A ausência da ressurgência de água fria no golfo do Panamá em 2023 pode comprometer a vida marinha e a economia local.

Baleia na região da Baixa Califórnia, México, no Oceano Pacífico (Foto: Reprodução)
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  • A ressurgência de água fria no golfo do Panamá, que ocorre entre janeiro e abril, não aconteceu em 2023.
  • A ausência do fenômeno foi causada pela falta de ventos alísios, que foram reduzidos a um quarto do esperado.
  • A ressurgência é vital para a vida marinha, trazendo água até dez graus Celsius mais fria e rica em nutrientes.
  • A falta desse fenômeno pode impactar a cadeia alimentar local, afetando a pesca e espécies como golfinhos e baleias migratórias.
  • Cientistas alertam que a situação pode estar relacionada ao aquecimento global e a fenômenos climáticos como La Niña.

Ressurgência de água fria no golfo do Panamá não ocorre em 2023

A ressurgência de água fria no golfo do Panamá, que normalmente acontece entre janeiro e abril, não se manifestou este ano. A ausência desse fenômeno, crucial para a vida marinha e a indústria pesqueira local, foi atribuída à falta de ventos alísios. Ralf Schiebel, paleoceanógrafo do Instituto Max Planck de Química, destacou que essa situação é inédita e merece atenção.

A ressurgência traz água até 10ºC mais fria que a superfície, rica em nutrientes essenciais para a pesca e a biodiversidade marinha. Steven Paton, coautor de um estudo publicado na revista *Proceedings of the National Academy of Sciences*, observou que os ventos alísios, que normalmente sopram do Atlântico, foram reduzidos a um quarto do esperado. Essa mudança impacta diretamente a movimentação das águas, que sustenta a cadeia alimentar local.

Impactos na cadeia alimentar

O desaparecimento da ressurgência pode ter grandes repercussões na cadeia alimentar do golfo. Andrew Sellers, ecologista marinho do Instituto de Pesquisa Tropical Smithsonian, alertou que a falta de águas ricas em nutrientes afeta não apenas a pesca, mas também espécies como golfinhos e baleias migratórias. Além disso, a ressurgência é vital para os recifes de corais, que enfrentam estresse térmico devido ao aumento das temperaturas.

Richard Aronson, professor de ciências marinhas, enfatizou que a ressurgência oferece um alívio aos corais, que estão sob risco de branqueamento. Com 85% dos recifes de corais do mundo afetados, a situação no Panamá se torna ainda mais preocupante. O aquecimento global pode estar influenciando a dinâmica dos ventos alísios, mas mais pesquisas são necessárias para entender completamente essa relação.

Fatores climáticos em jogo

Os cientistas sugerem que fenômenos como La Niña podem ter alterado os padrões de pressão atmosférica, impactando os ventos alísios. A combinação de sistemas de alta e baixa pressão é crucial para a formação desses ventos. O aquecimento das superfícies oceânicas, que já aumentaram mais de 1ºC desde a Revolução Industrial, também pode estar contribuindo para essa mudança.

A incerteza sobre o retorno da ressurgência nos próximos anos gera preocupação entre os pesquisadores. Se essa ausência se tornar uma tendência, as consequências para o ecossistema marinho e a economia local podem ser severas. Schiebel alertou que a diminuição de sistemas de ressurgência pode afetar outras regiões do mundo, ampliando os riscos associados às mudanças climáticas.

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