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Rio que ferve na Amazônia enfrenta ameaça da deforestação crescente

Moradores de Honoria buscam proteger o rio Hirviente e seu ecossistema diante de ameaças de desmatamento e falta de apoio governamental

Geólogo peruano atravessa o rio Hirviente (Foto: Reprodução)
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  • Moradores do distrito de Honoria, no Peru, tentam proteger o rio Hirviente e seu ecossistema, enfrentando desmatamento e falta de apoio governamental.
  • Ever Impicciatori, agricultor de cinquenta anos, expressa preocupação com a redução das espécies na região e se comunica com as árvores como forma de protesto.
  • O rio, conhecido como Shanay Timpishka, tem águas que podem atingir 99,1 °C e é um dos maiores da Amazônia.
  • O geólogo Andrés Ruzo alerta que a falta de proteção pode levar a um “ponto de não retorno” em três anos, mas as autoridades não garantem a proteção necessária.
  • A comunidade busca apoio de cientistas e educadores, e um botânico suíço catalogou mais de oitenta espécies de árvores na área desde 2011.

Moradores do distrito de Honoria, no Peru, lutam para proteger o rio Hirviente e seu ecossistema único, enfrentando a falta de apoio governamental e ameaças de desmatamento. Ever Impicciatori, agricultor de 50 anos, expressa sua preocupação com a diminuição das espécies na região e se comunica com as árvores, como uma forma de protesto contra a devastação. O rio, conhecido localmente como Shanay Timpishka, possui águas que podem atingir 99,1 °C e é considerado um dos maiores da Amazônia.

Andrés Ruzo, geólogo e estudioso do Hirviente, destaca que a geologia da área permite que a água quente emerja, criando um ambiente propício para pesquisas sobre mudanças climáticas e a evolução da vida. Ruzo alerta que, sem proteção adequada, a região pode alcançar um “ponto de não retorno” em três anos. Apesar da importância científica do local, as autoridades peruanas não garantem a proteção necessária.

Os moradores, como Impicciatori e Harry, um guia local, organizam esforços para preservar o ecossistema. Harry, que anteriormente ocupou terras para proteger o bosque, agora vendeu suas propriedades para iniciativas de ecoturismo. Ruzo observa que a invasão e o tráfico de terras são riscos significativos, mas muitos moradores que cresceram na região desejam proteger o ambiente.

O Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Sernanp) ainda não reconheceu o rio Hirviente como área protegida, dificultando a intervenção estatal. Rafael Pino, chefe da Zona Reservada Sierra del Divisor, explica que a formalização da proteção depende da comprovação da importância ecológica da área, o que é complicado devido à presença de propriedades privadas.

A comunidade continua a buscar apoio, com visitas de cientistas e educadores que ajudam a disseminar informações sobre a importância do rio. Impicciatori acredita que suas conversas com as árvores têm gerado resultados, como a chegada de um botânico suíço que catalogou mais de 80 espécies de árvores na região. Desde 2011, um projeto envolvendo mais de 120 colaboradores estuda o ecossistema, revelando os impactos do aumento das temperaturas nas plantas locais.

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