- O Brasil reafirmou seu compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 67% até 2035, em comparação aos níveis de 2005, durante a COP29.
- O workshop do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, realizado na Universidade Estadual de Campinas nos dias 11 e 12 de setembro, destacou a importância de transformar ciência básica em aplicada.
- Especialistas discutiram a relação entre mudanças climáticas e biodiversidade, com foco em ecossistemas costeiros e a importância do carbono azul.
- Pesquisadores abordaram os impactos das mudanças climáticas na saúde e economia, alertando que um aumento de 1 °C pode reduzir a produtividade em até 2%.
- O evento lançou o site COP30 e Ciência, que reúne pesquisas sobre clima para enfrentar os desafios do aquecimento global.
André Julião | Agência FAPESP – O Brasil reafirmou seu compromisso com a redução das emissões de gases de efeito estufa durante a COP29, propondo uma diminuição de 59% a 67% até 2035, em comparação aos níveis de 2005. Essa meta visa combater o desmatamento, uma das principais fontes de emissão no país. O tema foi central no workshop do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) nos dias 11 e 12 de setembro.
O evento destacou a necessidade de transformar a ciência básica em aplicada para enfrentar os desafios climáticos. Luiz Aragão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), enfatizou que mudar o sistema climático é um processo demorado, mas a redução do desmatamento pode ser alcançada rapidamente por meio de leis e fiscalização. Patricia Morellato, da Universidade Estadual Paulista, reforçou que a conservação da biodiversidade é crucial para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
Sinergias entre Biodiversidade e Clima
Pesquisadoras como Simone Vieira e Tânia Marcia Costa discutiram as interações entre mudanças climáticas e biodiversidade, especialmente em ecossistemas costeiros. O projeto de André Oliveira Sawakuchi, que investiga o carbono azul em áreas costeiras, também foi apresentado, destacando a importância do entendimento do balanço de carbono em resposta às mudanças climáticas.
O workshop abordou ainda a modelagem climática, com Pedro da Silva Peixoto, da USP, apresentando novas soluções matemáticas para previsões climáticas. Luiz Augusto Toledo Machado discutiu os efeitos sinergéticos das mudanças climáticas na Amazônia, enquanto Gabriel Martins Perez utilizou inteligência artificial para aprimorar modelos climáticos.
Impactos na Saúde e Economia
No segundo dia, Simone Miraglia e Paulo Saldiva abordaram a relação entre mudanças climáticas, saúde e economia. Miraglia destacou que cada aumento de 1 °C acima de 20 °C pode resultar em uma perda de produtividade de até 2%, alertando para a emergência de saúde pública que as mudanças climáticas podem causar. A pesquisa sugere que políticas integradas podem tirar 175 milhões de pessoas da pobreza extrema até 2050, melhorando também os desfechos de saúde.
O evento também lançou o site COP30 e Ciência, que reúne pesquisas sobre clima, promovendo o conhecimento necessário para enfrentar os desafios do aquecimento global.
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