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Ginecologista atua na linha de frente da guerra para apoiar mulheres na Ucrânia

Clínica móvel de ginecologia realiza exames em áreas de guerra e revela diagnósticos alarmantes de câncer entre mulheres ucranianas

A equipe médica de Baksheiev usa espaços alternativos e improvisados para realizar os atendimentos (Foto: Serhii Baksheiev)
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  • A guerra na Ucrânia já dura mais de três anos, resultando em mais de 1.940 ataques a instalações médicas.
  • A falta de cuidados ginecológicos afeta milhares de mulheres no país.
  • O obstetra e ginecologista Serhii Baksheiev criou uma clínica móvel chamada “a nave feminina”, que já realizou mais de 1.000 exames ginecológicos.
  • Até 4% das pacientes atendidas foram diagnosticadas com tumores malignos.
  • Baksheiev continua seu trabalho, oferecendo apoio emocional e cuidados médicos em áreas remotas, apesar de ter recebido um diagnóstico de câncer.

Em meio à guerra na Ucrânia, que já dura mais de três anos, milhares de mulheres enfrentam a escassez de cuidados ginecológicos. Com mais de 1.940 ataques a instalações médicas, a situação se tornou crítica, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Para enfrentar essa crise, o obstetra e ginecologista Serhii Baksheiev criou uma clínica móvel chamada “a nave feminina”, que já realizou mais de 1.000 exames ginecológicos em áreas rurais próximas à linha de frente.

As pacientes, muitas sem atendimento médico desde o início do conflito, aguardam em filas para serem atendidas por Baksheiev e sua equipe. A clínica móvel oferece um serviço humanitário gratuito, destinado a mulheres sem acesso a médicos ou hospitais. Durante as missões, a equipe utiliza espaços improvisados e equipamentos médicos, incluindo um aparelho de ultrassom e ferramentas para pequenas cirurgias.

Dados Alarmantes

Os exames realizados revelam dados preocupantes: até 4% das mulheres atendidas são diagnosticadas com tumores malignos. Isso ocorre em um contexto onde as taxas de detecção de câncer de ovário e colo de útero diminuíram em 17% e 10%, respectivamente, desde 2020. A ex-ministra da Saúde da Ucrânia, Ulana Suprún, destaca os impactos prolongados da guerra na saúde física e mental da população.

Apesar de ter recebido um diagnóstico de câncer em setembro de 2024, Baksheiev continua sua missão. Ele não apenas realiza exames, mas também oferece apoio emocional às pacientes, que compartilham histórias de traumas vividos durante os ataques. O governo ucraniano, em parceria com a OMS, já reconstruiu parcialmente 964 instalações médicas, mas o desafio de restabelecer um sistema de saúde funcional persiste.

Desafios e Esperança

A guerra tem pressionado o sistema de saúde ucraniano de maneira sem precedentes. Baksheiev, que começou sua trajetória em um bunker em Kiev, onde ajudava a fazer partos sob bombardeios, agora se dedica a levar atendimento médico a mulheres em áreas remotas. Sua clínica móvel é um símbolo de esperança em meio ao caos, proporcionando cuidados essenciais em um momento de necessidade extrema.

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