- Uma pesquisa publicada na revista JAMA Neurology indica que entre 22% e 44% dos casos de demência antes dos 80 anos poderiam ser evitados ao eliminar fatores de risco como hipertensão arterial, diabetes e tabagismo.
- O estudo analisou dados de 12.280 adultos ao longo de até 33 anos e utilizou a coorte Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC) para calcular a fração atribuível populacional (PAF) desses fatores em diferentes idades.
- A PAF foi de 21,8% para a faixa etária de 45 a 54 anos, aumentando para 26,4% entre 55 e 64 anos e chegando a 44% para aqueles entre 65 e 74 anos.
- Para indivíduos com demência diagnosticada após os 80 anos, a contribuição desses fatores foi menor, variando de 2% a 8%.
- O estudo também identificou que mulheres a partir dos 55 anos e a população negra apresentaram PAF mais alta, refletindo maior vulnerabilidade a essas condições.
Uma nova pesquisa publicada no periódico JAMA Neurology revela que 22% a 44% dos casos de demência diagnosticados antes dos 80 anos poderiam ser evitados ao eliminar fatores de risco como hipertensão arterial, diabetes e tabagismo. O estudo, que analisou dados de 12.280 adultos ao longo de até 33 anos, destaca a importância de políticas de prevenção, já que esses fatores são modificáveis.
Os pesquisadores utilizaram a coorte Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC) para calcular a fração atribuível populacional (PAF) dos três fatores de risco em diferentes faixas etárias. Os resultados mostraram que, na faixa de 45 a 54 anos, 21,8% dos casos de demência estavam associados a pelo menos um dos fatores. Esse percentual aumentou para 26,4% entre 55 e 64 anos e chegou a 44% na faixa de 65 a 74 anos.
A pesquisa se destaca por suas estimativas mais elevadas em comparação a estudos anteriores, como o da Comissão Lancet de 2024, que apontou uma PAF de apenas 6% para esses fatores. A diferença se deve à abordagem metodológica que considera a interação entre os fatores de risco, algo que estudos anteriores não avaliaram adequadamente.
Impacto por Faixa Etária
Os dados indicam que o impacto dos fatores de risco vasculares aumenta com a idade. Para indivíduos diagnosticados com demência após os 80 anos, a contribuição desses fatores foi significativamente menor, variando de 2% a 8%. Os pesquisadores sugerem que, em idades mais avançadas, a presença de múltiplas comorbidades dificulta a identificação de um único fator como responsável pela condição.
Neurologistas brasileiros, como Diogo Haddad, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, consideram a metodologia do estudo robusta, mas alertam para limitações, como a falta de análise de variáveis como nível de escolaridade e sedentarismo. Álvaro Pentagna, do Hospital Vila Nova Star, reforça a relevância dos fatores vasculares para a demência, destacando que esses fatores podem causar danos cerebrais de forma silenciosa.
Vulnerabilidades Específicas
O estudo também identificou subgrupos populacionais mais vulneráveis. Em mulheres a partir dos 55 anos, a PAF variou entre 29,2% e 51,3%. Para a população negra, os números foram de 25,5% a 52,9%, refletindo a maior prevalência de condições de saúde nessa demografia. Já em indivíduos sem o gene APOE ε4, o impacto dos fatores vasculares foi ainda mais significativo, com uma PAF de 33,3% a 61,4%.
Esses fatores de risco afetam os vasos cerebrais, contribuindo para um aumento gradual do risco de demência. Os especialistas ressaltam que a prevenção e o controle desses fatores são essenciais para reduzir a incidência da doença, especialmente em populações vulneráveis.
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