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Estudo revela origem do surto de Peste Negra na Idade do Bronze

Descoberta de Yersinia pestis em ovelha de 4 mil anos revela novas rotas de transmissão da peste e desafia teorias sobre sua disseminação

Taylor Hermes/ Max Planck Institute for Infection Biology/Divulgação
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  • Cientistas descobriram DNA de uma linhagem extinta de Yersinia pestis em uma ovelha de 4 mil anos na Rússia.
  • O estudo, publicado na revista Cell, sugere que as ovelhas podem ter sido hospedeiros-ponte da bactéria.
  • A pesquisa analisou dentes e ossos de 23 animais da Idade do Bronze no sítio arqueológico de Arkaim.
  • A descoberta indica que humanos e ovelhas foram infectados pela mesma população bacteriana, alterando a compreensão sobre a disseminação da peste.
  • A pesquisa alerta sobre a relação entre a domesticação de animais e a emergência de doenças humanas.

A Yersinia pestis, agente causador da peste, teve sua história reescrita após a descoberta de DNA de uma linhagem extinta em uma ovelha de 4 mil anos, encontrada na Rússia. O estudo, publicado na revista *Cell*, revela que as ovelhas podem ter atuado como hospedeiros-ponte, alterando a compreensão sobre a disseminação da doença.

Pesquisadores analisaram dentes e ossos de 23 animais da Idade do Bronze no sítio arqueológico de Arkaim. Um dente de ovelha, identificado como ARK017, apresentou sinais da bactéria, que era geneticamente semelhante à que infectou humanos da mesma região. Ian Light-Maka, doutorando no Instituto Max Planck de Biologia da Infecção, destacou que, até então, todos os registros da bactéria eram de restos humanos.

As análises indicam que tanto humanos quanto ovelhas foram infectados pela mesma população bacteriana. A descoberta sugere que a peste se espalhou por rotas variadas, incluindo o contato direto com animais infectados, ao contrário das pandemias históricas, que dependiam principalmente de pulgas de ratos. Isso explica a ausência de grandes covas coletivas associadas a surtos dessa linhagem, evidenciando enterros individuais.

Contexto Cultural

As comunidades Sintashta-Petrovka, que eram nômades e pastoris, utilizavam cavalos para transporte e manejavam grandes rebanhos. Essa dinâmica facilitava a disseminação da peste por extensas áreas. A linhagem de Y. pestis analisada manteve-se estável ao longo de milênios, mas não apresentava as adaptações que tornaram a peste medieval tão letal.

Os cientistas ainda não identificaram o reservatório original da bactéria, mas especulam que aves migratórias possam ter desempenhado um papel na sua disseminação. Embora essa linhagem esteja extinta, a Y. pestis persiste em focos endêmicos em várias regiões do mundo, com registros anuais entre mil e dois mil casos.

A pesquisa serve como um alerta sobre a relação entre a domesticação de animais e a emergência de doenças humanas. Light-Maka enfatiza que a interação entre humanos e animais sempre esteve ligada à propagação de patógenos, um fenômeno que continua a ser relevante nos dias atuais.

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