- A discussão sobre sexualidade na terceira idade enfrenta estigmas, mas estudos recentes mostram que uma parte significativa dos idosos é sexualmente ativa.
- Na Espanha, 24% das pessoas acima de 65 anos mantêm relações sexuais pelo menos uma vez por semana.
- Nos Estados Unidos, 40% dos americanos entre 65 e 80 anos são sexualmente ativos. No Reino Unido, 86% dos homens e 60% das mulheres entre 60 e 69 anos relatam atividade sexual.
- O idadeismo, que é a discriminação por idade, afeta a percepção da sexualidade na velhice, com 45% da população espanhola se sentindo discriminada.
- A saúde sexual dos idosos é frequentemente negligenciada, com um aumento significativo de infecções sexualmente transmissíveis entre pessoas acima de 60 anos na última década.
A discussão sobre sexualidade na terceira idade tem avançado, mas ainda enfrenta estigmas. Pesquisas recentes mostram que 24% das pessoas acima de 65 anos na Espanha mantêm relações sexuais pelo menos uma vez por semana, desafiando a ideia de que o envelhecimento implica na perda do desejo sexual.
Estudos indicam que 40% dos americanos entre 65 e 80 anos são sexualmente ativos. No Reino Unido, 86% dos homens e 60% das mulheres entre 60 e 69 anos afirmam ter relações sexuais. Mesmo entre os maiores de 90 anos, 10% relatam atividade sexual, segundo pesquisa sueca. Essa realidade contrasta com a visão tradicional que associa a sexualidade à juventude.
O impacto do idadeismo
O conceito de idadeismo, que se refere à discriminação por idade, é um fator que ainda afeta a percepção da sexualidade na velhice. Um relatório da ONU revela que 45% da população espanhola se sente discriminada por sua idade. A socióloga Aina Bertomeu destaca que a sexualidade é uma construção social influenciada por contextos culturais. As gerações mais velhas foram socializadas em um modelo repressivo, enquanto as mais jovens cresceram em um ambiente que valoriza a diversidade sexual.
A falta de diálogo sobre sexualidade entre gerações contribui para a perpetuação de tabus. Muitas pessoas idosas sentem-se frustradas por não poderem expressar seus desejos. O psicólogo Roberto Sanz ressalta que a autoimagem é crucial para a vivência da sexualidade, já que a sociedade impõe padrões de beleza que muitas vezes não são compatíveis com o envelhecimento.
Saúde sexual na terceira idade
A saúde sexual dos idosos é frequentemente negligenciada. Profissionais de saúde muitas vezes não abordam o tema, levando a uma falta de exames para detectar infecções sexualmente transmissíveis. Dados do Centro Nacional de Epidemiologia mostram que casos de gonorreia, clamídia e sífilis entre pessoas acima de 60 anos triplicaram na última década.
A Estrategia Nacional de Saúde Sexual e Reprodutiva foca principalmente na população jovem, ignorando as necessidades dos mais velhos. Essa omissão não apenas perpetua o idadeismo, mas também compromete o direito dos idosos a uma vida sexual plena e digna.
A sexualidade na terceira idade deve ser entendida como parte do bem-estar geral. É essencial ampliar o foco para incluir o desejo, o afeto e a diversidade de experiências sexuais, sem estigmas. O que se observa é que, apesar das dificuldades, o desejo e a capacidade de amar continuam presentes, desafiando preconceitos e promovendo uma vida sexual ativa e saudável.
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