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Argentina registra quase 100 mortes por fentanilo contaminado em hospital

Investigação sobre contaminação de fentanilo avança, com 96 mortes previstas e governo sob pressão por falhas nos controles de segurança

Familiares de vítimas de fentanilo contaminado no Hospital Italiano de La Plata (Argentina), em 31 de julho de 2025. (Foto: Juan Ignacio Roncoroni/EFE)
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  • Um escândalo de saúde pública na Argentina resultou em 87 mortes confirmadas devido à contaminação de ampolas de fentanilo.
  • A investigação judicial, ainda em andamento, estima que o número de vítimas pode chegar a 96.
  • A contaminação foi causada por bactérias resistentes, como Klebsiella pneumoniae e Ralstonia pickettii, em lotes distribuídos em hospitais.
  • O juiz federal Ernesto Kreplak investiga a atuação de 24 pessoas ligadas aos laboratórios HLB Pharma Group e Laboratório Ramallo.
  • O governo enfrenta críticas por falhas nos controles de segurança e a oposição acusa de negligência na resposta aos alertas sobre a contaminação.

Um grave escândalo de saúde pública na Argentina está em curso, resultando em 87 mortes confirmadas devido à contaminação de ampolas de fentanilo. A investigação judicial, que ainda está aberta, estima que o número de vítimas pode chegar a 96. A contaminação foi atribuída a bactérias resistentes, como *Klebsiella pneumoniae* e *Ralstonia pickettii*, presentes em lotes distribuídos em hospitais.

As primeiras mortes foram registradas em abril de 2023, em La Plata, e desde então, a situação se agravou. O fentanilo, utilizado como analgésico em hospitais, foi administrado a pacientes internados, que posteriormente desenvolveram complicações graves, incluindo pneumonia. A contaminação afetou mais de 300 mil ampolas, com cerca de 45 mil já utilizadas em pacientes.

Investigação e Responsabilidades

A investigação está sob a responsabilidade do juiz federal Ernesto Kreplak, que analisa a atuação de 24 pessoas ligadas aos laboratórios envolvidos, como HLB Pharma Group e Laboratório Ramallo. Até o momento, ninguém foi formalmente acusado, pois a coleta de provas e a contagem de vítimas ainda estão em andamento. A falta de rastreabilidade dos medicamentos e a resistência de alguns hospitais em colaborar complicam a apuração.

Familiares das vítimas exigem justiça e responsabilização. Daniel Oviedo, pai de uma das vítimas, descreveu a situação como um “assassinato em massa”. Ele perdeu seu filho, que estava internado por problemas renais e recebeu o fentanilo contaminado. A pesquisa já confirmou a relação entre o fentanilo e as infecções em 44 casos.

Críticas ao Governo

O governo argentino, liderado pelo presidente Javier Milei, enfrenta críticas por falhas nos controles de segurança. A Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (ANMAT) havia identificado deficiências críticas na produção do fentanilo, mas a suspensão das atividades do laboratório só ocorreu meses depois. A oposição acusa o governo de negligência e de não agir rapidamente diante dos alertas.

Recentemente, a comissão de Saúde da Câmara de Deputados aprovou um pedido de informações ao Executivo sobre o caso. A pressão aumenta à medida que mais detalhes sobre a contaminação e suas consequências vêm à tona, e a sociedade clama por um sistema de saúde mais seguro e eficaz.

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