- Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP) publicaram um artigo sobre nanovacinas contra o câncer.
- As nanovacinas utilizam nanotecnologia para ativar o sistema imunológico e são compostas por antígenos, adjuvantes e nanocarreadores.
- Os antígenos podem ser derivados de tumores, mRNA, peptídeos sintéticos ou DNA, enquanto os adjuvantes aumentam a resposta imune e os nanocarreadores garantem a entrega dos antígenos.
- Apesar do potencial, as nanovacinas enfrentam desafios, como a produção personalizada que pode levar até nove semanas e a falta de aprovações para uso comercial.
- O coordenador do Grupo de Nanotecnologia (GNano), Valtencir Zucolotto, também menciona pesquisas em nanotecnologia para outras doenças, como tuberculose e glioblastoma.
Um artigo de revisão elaborado por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP apresenta um panorama sobre as nanovacinas contra o câncer, uma abordagem inovadora que utiliza a nanotecnologia para ativar o sistema imunológico. O estudo destaca as composições das nanovacinas e os desafios na produção personalizada, visando melhorar a eficácia no combate à doença.
As nanovacinas são compostas por três elementos principais: antígenos, adjuvantes e nanocarreadores. Os antígenos, que podem ser derivados do próprio tumor ou de mRNA, peptídeos sintéticos e DNA, são essenciais para estimular a resposta imune. Os adjuvantes potencializam essa resposta, enquanto os nanocarreadores garantem a entrega direcionada e protegida dos antígenos. Essa tecnologia pode ser aplicada tanto em vacinas preventivas, que buscam impedir o crescimento tumoral, quanto em vacinas terapêuticas, que tratam tumores já existentes.
O coordenador do GNano, Valtencir Zucolotto, ressalta que a nanotecnologia revolucionou o desenvolvimento de vacinas, especialmente após os avanços trazidos pelas vacinas de RNA contra a covid-19. Ensaios clínicos indicam que as nanovacinas podem aumentar a eficácia de tratamentos convencionais, como os inibidores de checkpoint imunológico, reduzindo riscos de metástase e recorrência da doença.
Entretanto, a aplicação das nanovacinas ainda enfrenta desafios significativos. Atualmente, poucas formulações alcançaram a fase de testes clínicos avançados e nenhuma foi aprovada para uso comercial. A produção personalizada, que envolve biópsias e sequenciamento genético, pode levar até nove semanas, um período crítico para pacientes oncológicos.
Zucolotto também destaca a pesquisa em nanotecnologia aplicada ao diagnóstico e tratamento de outras doenças, como a tuberculose e o glioblastoma. O desenvolvimento de nanopartículas naturais provenientes de microalgas para o tratamento do glioblastoma é um dos projetos em andamento, visando não apenas a resposta imune, mas também a redução da agressividade do tumor.
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