- Em janeiro de 2024, chuvas intensas no Rio de Janeiro causaram o transbordamento do rio Acari.
- O evento resultou em uma morte e danos a 20 mil casas no bairro de Acari.
- A assistente social Letícia Pinheiro, do Coletivo Fala Akari, afirmou que as enchentes estão se intensificando, ocorrendo fora do período esperado.
- O bairro participa da pesquisa Retratos das Enchentes, do Instituto Decodifica, que mapeia riscos de inundações em áreas periféricas.
- Dados indicam que 34% das residências na região estão em alta vulnerabilidade a inundações.
Em janeiro de 2024, chuvas intensas no Rio de Janeiro provocaram o transbordamento do rio Acari, resultando em uma morte e danos a 20 mil casas no bairro de Acari. A situação, já recorrente na região, foi descrita pela assistente social Letícia Pinheiro, do Coletivo Fala Akari, como uma extrapolação do que era considerado normal. Segundo ela, as enchentes têm se intensificado, com eventos que antes eram previsíveis agora ocorrendo fora do período esperado.
O bairro de Acari, que abriga um complexo de favelas, participa da pesquisa Retratos das Enchentes, do Instituto Decodifica. Este projeto visa mapear os riscos e impactos das enchentes em áreas periféricas do Rio de Janeiro, Pernambuco e Maranhão. Dados do projeto Rio 60°, em parceria com a UFF, indicam que 34% das 31,3 mil residências na região estão em alta vulnerabilidade a inundações.
A socióloga Iná Odara Cholodoski, envolvida na pesquisa, destaca a falta de dados de qualidade sobre os impactos das enchentes nas periferias. Ela afirma que a ausência de informações é um reflexo do desinteresse público em debater as condições de vida da população que reside nessas áreas. O projeto busca preencher essa lacuna através da geração cidadã de dados, onde os próprios moradores contribuem com informações sobre suas realidades.
Mapeamento e Educação Climática
A pesquisa é dividida em três etapas, começando com grupos focais e oficinas de cartografia social. Durante essas atividades, os moradores identificam pontos críticos de alagamento e locais de abrigo comunitário. Anie Campelo, líder da Comissão Ambiental Jaboatão dos Guararapes, ressalta a importância de aproximar a temática climática da população periférica, que muitas vezes não tem acesso a essas informações.
Além de mapear riscos, o projeto também ajuda os moradores a reconhecerem os impactos da crise climática e a diferenciarem conceitos como enchente e alagamento. A iniciativa é vista como uma ferramenta de educação, permitindo que as comunidades compreendam melhor as causas e consequências das inundações.
Os resultados preliminares da pesquisa serão apresentados na COP30, conferência sobre clima da ONU, marcada para novembro em Belém. O objetivo é que o retrato das enchentes, elaborado pelos moradores, contribua para que os impactos nas periferias sejam incluídos na agenda climática e que políticas públicas efetivas sejam implementadas.
Entre na conversa da comunidade