- María Paz García Vera, catedrática de Psicologia Clínica, participou de uma conferência na Universidade Internacional Menéndez Pelayo, em Santander.
- O evento abordou a relação entre sexo e transtornos mentais, destacando a maior vulnerabilidade das mulheres à depressão.
- As mulheres apresentam taxas de depressão de quatorze por cento, quase o dobro dos homens, que têm sete por cento.
- Fatores sociais e culturais influenciam a autoestima feminina, e mudanças hormonais podem contribuir para a depressão.
- García Vera ressaltou a necessidade de promover uma educação que desafie padrões de beleza e expectativas sociais prejudiciais.
María Paz García Vera, catedrática de Psicologia Clínica e especialista em estresse pós-traumático e depressão, participou de uma conferência na Universidade Internacional Menéndez Pelayo, em Santander. O evento abordou a relação entre sexo e transtornos mentais, destacando a maior vulnerabilidade das mulheres à depressão.
Durante sua apresentação, García Vera revelou que as mulheres apresentam taxas de depressão quase duas vezes superiores às dos homens, com 14% contra 7%. Essa diferença é especialmente notável entre as mais jovens. Além disso, os transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, afetam predominantemente o público feminino. Embora os homens tenham taxas mais altas de suicídio, as tentativas são mais frequentes entre as mulheres, que costumam usar métodos menos letais.
A catedrática também discutiu como fatores sociais e culturais influenciam a autoestima feminina. Mudanças hormonais e neurotransmissoras, como as que ocorrem no pós-parto e na menopausa, podem contribuir para a depressão, mas a interação com fatores sociais é crucial. As mulheres tendem a desenvolver esquemas cognitivos sociotrópicos, que priorizam a avaliação externa e as relações interpessoais, aumentando a vulnerabilidade a padrões depressivos.
García Vera enfatizou a importância de promover uma educação que fomente crenças funcionais, desafiando padrões de beleza e expectativas sociais que podem levar à insatisfação e à depressão. Ela alertou que a pressão estética, exacerbada pelas redes sociais, pode criar uma “tirania estética” que impacta a saúde mental desde a adolescência.
A especialista concluiu que, embora a psicologia clínica tenha avançado, ainda é necessário abordar as questões de gênero de forma mais abrangente, reconhecendo as particularidades do sofrimento masculino e feminino.
Entre na conversa da comunidade