- Um relatório da Fiocruz aponta que uma redução de 20% no consumo de álcool poderia evitar 10.400 mortes anuais no Brasil.
- Essa diminuição resultaria em uma economia de R$ 2,1 bilhões em produtividade.
- O estudo, solicitado pelas organizações Vital Strategies e ACT Promoção da Saúde, sugere a tributação do álcool como uma medida eficaz.
- Os gastos diretos do Sistema Único de Saúde (SUS) com tratamentos relacionados ao álcool chegam a R$ 1,1 bilhão por ano, com a maioria das despesas sendo de homens.
- Além da tributação, o relatório recomenda restrições na venda de álcool e melhorias na rotulagem dos produtos para aumentar a conscientização sobre os riscos do consumo excessivo.
Um novo relatório da Fiocruz revela que uma redução de 20% no consumo de álcool no Brasil poderia evitar 10.400 mortes anuais, resultando em uma economia de R$ 2,1 bilhões em produtividade. O estudo, conduzido pelo pesquisador Eduardo Nilson, destaca que essa redução corresponde a uma morte a cada hora no país. Os dados indicam que os custos associados a essas mortes prematuras impactam diretamente a economia, afetando a renda familiar e a força de trabalho.
O relatório, intitulado “Estimação do Impacto de Diferentes Cenários de Redução do Consumo de Álcool no Brasil”, foi realizado a pedido das organizações de saúde Vital Strategies e ACT Promoção da Saúde. Ele sugere que a tributação do álcool pode ser uma medida eficaz para alcançar a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) de reduzir o consumo per capita até 2030. A pesquisa também estima que uma redução de 10% no consumo poderia salvar 4.600 vidas e gerar uma economia de R$ 1 bilhão.
Custos com Saúde
Os gastos diretos com hospitalizações e tratamentos relacionados ao álcool custam ao Sistema Único de Saúde (SUS) cerca de R$ 1,1 bilhão por ano, com os homens representando 74% dessas despesas. O estudo considera 24 doenças associadas ao consumo de álcool, incluindo cirrose e diversos tipos de câncer. Além disso, o impacto econômico das mortes prematuras é maior entre os jovens, que enfrentam riscos elevados de acidentes e violência.
A diretora-adjunta de doenças crônicas não transmissíveis da Vital Strategies, Luciana Sardinha, afirma que a implementação de um imposto seletivo sobre o álcool é uma estratégia promissora. Esse imposto, que será discutido no Congresso, deve ser baseado no preço de fábrica e na unidade de álcool de cada bebida, visando reduzir o consumo.
Medidas Complementares
Além da tributação, o estudo enfatiza a importância de outras medidas, como a restrição de pontos e horários de venda, e a melhoria da rotulagem dos produtos. A conscientização sobre os riscos do consumo excessivo de álcool é crucial, uma vez que a bebida é frequentemente banalizada na sociedade. O relatório destaca que não existe uma dose segura de álcool, e a informação à população é fundamental para promover mudanças nos hábitos de consumo.
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