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Alimentação saudável não depende apenas da proteína como estrela principal

Pesquisadores alertam para a importância da diversidade alimentar, enquanto a insegurança alimentar ainda afeta milhões de brasileiros

Cesto vazado vermelho contendo diversos alimentos, como carne, peixe, ovo, amendoim, queijo e legumes sobre um fundo verde água (Foto: USP Imagens)
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  • A ingestão de proteínas no Brasil é considerada adequada, representando 18% da dieta média, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP).
  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 0,8 grama de proteína por quilo de peso corporal, e apenas 3% dos 20% mais pobres do Brasil consomem menos do que essa quantidade.
  • A pesquisa destaca a importância de uma alimentação diversificada e critica a ênfase excessiva na proteína.
  • Apesar da redução da insegurança alimentar severa em quase 85% no Brasil, a desnutrição infantil ainda afeta 253 municípios.
  • Pesquisadores alertam que o modelo agroalimentar atual, focado na produção de carne, contribui para problemas ambientais e de saúde.

A ingestão de proteínas no Brasil está adequada, com 18% da dieta média, segundo pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa, realizada pela Faculdade de Saúde Pública em parceria com o Instituto de Estudos Avançados e o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, destaca a importância de uma alimentação diversificada, criticando a ênfase excessiva na proteína.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 0,8g de proteína por quilo de peso corporal, o que equivale a cerca de 180g de peito de frango por dia para um adulto médio. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares mostram que apenas 3% dos 20% mais pobres do Brasil consomem menos do que essa quantidade. Nadine Marques, pesquisadora da USP, afirma que, quando a ingestão calórica é suficiente, o consumo proteico também é adequado.

Embora a proteína seja essencial, a média de consumo no Brasil supera as recomendações da OMS, que sugere que o macronutriente deve representar de 10% a 15% da ingestão energética diária. Ricardo Abramovay, docente do IEA, ressalta que o déficit proteico está ligado à fome, não à quantidade de proteína consumida. Ele alerta que a suplementação excessiva é desnecessária, exceto para atletas de alto rendimento.

A Diversidade Alimentar é Fundamental

Os pesquisadores enfatizam que focar apenas em um nutriente pode ser prejudicial. A pesquisa Vigitel de 2023 revelou que 79% dos adultos nas capitais brasileiras não atingem a recomendação da OMS para consumo de vegetais, frutas e verduras. Abramovay destaca que a diversidade alimentar é crucial, especialmente para crianças, e não se trata de eliminar a carne, mas de reduzir e substituir adequadamente.

Apesar da redução da insegurança alimentar severa em quase 85% no Brasil em 2023, segundo o Relatório da ONU sobre Insegurança Alimentar Mundial, muitos ainda enfrentam dificuldades de acesso a alimentos de qualidade. Nadine Marques observa que a desnutrição infantil persiste em 253 municípios, onde mais de 10% das crianças menores de cinco anos estão afetadas.

Desafios do Sistema Agroalimentar

O modelo agroalimentar atual, que prioriza a produção de carne, contribui para problemas ambientais e de saúde. Abramovay critica a ideia de que a solução para a fome é apenas a distribuição de alimentos, enfatizando a necessidade de mudar a estrutura do sistema agroalimentar. A produção excessiva de carne não é uma resposta à carência de produtos animais, mas sim uma questão de consumo desmedido.

A pesquisa em andamento da USP busca entender melhor o consumo de proteínas no Brasil, considerando a cultura alimentar e a biodiversidade local. Nadine Marques ressalta a importância da educação alimentar desde a infância, para que as futuras gerações façam escolhas mais conscientes.

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