- Pesquisadores brasileiros e canadenses desenvolveram uma técnica para aumentar a viabilidade de pulmões para transplante, atualmente limitada a 20% das doações.
- A inovação utiliza a Angiotensina-(1-7) para reparar pulmões lesionados, que representam 80% dos órgãos doados considerados não viáveis.
- O método envolve a lavagem e preservação dos pulmões a 10°C, aplicando a proteína durante o processo.
- Estudos em modelos animais mostraram que a técnica melhora a oxigenação dos enxertos e reduz danos pela falta de circulação sanguínea.
- A pesquisa, publicada na revista Journal of Heart and Lung Transplantation, requer mais estudos em modelos animais maiores antes de aplicação clínica.
Pesquisadores brasileiros e canadenses desenvolveram uma nova técnica que promete aumentar a viabilidade de pulmões para transplante, atualmente limitada a apenas 20% das doações. A inovação utiliza a Angiotensina-(1-7) para reparar órgãos lesionados, que representam 80% dos pulmões doados considerados não viáveis devido a lesões pré-existentes.
O método envolve a lavagem e preservação dos pulmões a 10°C, aplicando a proteína durante o processo. Estudos em modelos animais mostraram que essa abordagem reduz danos causados pela falta de circulação sanguínea e melhora a oxigenação dos enxertos. Os resultados foram publicados na revista Journal of Heart and Lung Transplantation.
De acordo com o autor do estudo, Paolo Oliveira Melo, da Faculdade de Medicina da USP, a demanda por transplantes aumentou, especialmente entre pacientes com falência pulmonar persistente associada à covid-19. Em março de 2025, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos registrou 348 pessoas na fila de espera, mas apenas 37 transplantes foram realizados no Brasil até então.
A técnica de preservação é crucial para garantir a viabilidade dos pulmões. A lavagem com solução a 4°C remove sangue residual e previne a formação de microtrombos, além de promover hipotermia protetora. A pesquisa também testou a eficácia da Angiotensina-(1-7) em pulmões lavados, mostrando que a solução enriquecida melhorou a função dos órgãos transplantados em comparação com a solução padrão.
Para que a técnica seja aplicada clinicamente, são necessários estudos adicionais em modelos animais maiores. Oliveira Melo destaca que a validação da eficácia em protocolos mais próximos da realidade clínica é essencial antes de considerar o uso em pacientes. A pesquisa é resultado de uma colaboração entre a FMUSP e a University Health Network do Canadá, com Oliveira Melo atualmente realizando seu pós-doutorado em Toronto.
Entre na conversa da comunidade