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Contaminação do ar eleva casos de infarto e mortes em dias críticos

Estudo revela que picos de poluição do ar elevam risco de infartos e mortalidade cardíaca, exigindo ações urgentes de saúde pública

Nuvem de poluição sobre o centro de Madrid, vista do Cerro del Tío Pío. (Foto: JUAN BARBOSA)
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  • Um estudo recente relaciona a poluição do ar, especialmente os picos de partículas PM₂,₅, ao aumento do risco de infartos e mortalidade cardíaca.
  • A pesquisa foi realizada pela Sociedade Espanhola de Cardiologia e pela Fundação Espanhola do Coração, analisando dados de 115.071 pacientes em 122 hospitais na Espanha entre 2016 e 2021.
  • Quando a concentração de PM₂,₅ ultrapassa 10 microgramas por metro cúbico, há um aumento de 22 infartos a cada 1.000 hospitalizações nos três dias seguintes.
  • Níveis acima de 25 microgramas elevam o risco de morte durante a internação por infarto em 14%, resultando em um óbito adicional a cada 125 internações.
  • Especialistas recomendam que a população, especialmente grupos vulneráveis, evitem a exposição em dias de alta poluição e adotem medidas como permanecer em casa e limitar atividades ao ar livre.

Um novo estudo revela que a poluição do ar, especialmente os picos de partículas PM₂,₅, está diretamente ligada ao aumento do risco de infartos e mortalidade cardíaca. A pesquisa, realizada por especialistas da Sociedade Espanhola de Cardiologia e da Fundação Espanhola do Coração, analisou dados de 115.071 pacientes em 122 hospitais na Espanha entre 2016 e 2021.

Os resultados mostram que, quando a concentração de PM₂,₅ ultrapassa 10 microgramas por metro cúbico, há um aumento de 22 infartos a cada 1.000 hospitalizações nos três dias seguintes. Com níveis acima de 25 microgramas, o risco de morte durante a internação por infarto cresce 14%, resultando em um óbito adicional a cada 125 internações. O cardiologista Julio Núñez, coautor do estudo, destaca que esta é a primeira análise abrangente em todo o país, reforçando a relação entre poluição e problemas cardíacos.

Impactos na Saúde

As partículas PM₂,₅, provenientes da combustão de veículos e indústrias, são tão pequenas que conseguem penetrar nos pulmões e na corrente sanguínea, causando inflamação e disfunção endotelial. O cardiologista Jordi Bañeras explica que esses mecanismos contribuem para a aterosclerose e a ruptura de placas arteriais, aumentando o risco de infarto. A pesquisa enfatiza que os efeitos da poluição são particularmente graves para grupos vulneráveis, como pessoas com doenças pré-existentes.

Além dos problemas cardíacos, a poluição do ar também está associada a doenças respiratórias, problemas de saúde mental e partos prematuros. Um relatório da Comissão de Contaminação e Saúde de The Lancet estima que a poluição ambiental causa cerca de nove milhões de mortes prematuras anualmente em todo o mundo. Na Espanha, um estudo do Instituto de Saúde Carlos III aponta que a poluição do ar resulta em 62.000 internações hospitalares urgentes por ano, com um custo superior a 850 milhões de euros.

Recomendações e Conclusões

Os especialistas recomendam que a população, especialmente os mais vulneráveis, evitem a exposição em dias de alta poluição. Sugestões incluem permanecer em casa e limitar atividades ao ar livre. Na semana passada, o prefeito de Madrid aconselhou pacientes de risco a evitar exercícios externos em dias de má qualidade do ar. O uso de máscaras também é sugerido, embora não haja evidências conclusivas sobre sua eficácia na redução do risco de infarto.

Estudos recentes reforçam a necessidade de políticas públicas mais rigorosas para combater a poluição do ar. O próximo Congresso Europeu de Cardiologia, que ocorrerá em Madrid, dedicará várias sessões aos efeitos da poluição na saúde cardiovascular, evidenciando a urgência de ações efetivas nesse campo.

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