- O Brasil enfrenta uma crise na saúde suplementar, com custos médicos-hospitalares aumentando 14,6% ao ano.
- As operadoras de planos de saúde tiveram um faturamento de R$ 330 bilhões em 2024, mas operam com uma margem líquida de apenas 1,3%.
- A taxa de glosas, que são negativas em pagamentos a hospitais, subiu de 3% para 16% da receita, e o prazo médio de pagamento aumentou de 70 para 120 dias.
- Pequenas e médias empresas do setor enfrentam dificuldades financeiras, e a falta de leitos adequados para cuidados prolongados é um problema crítico.
- Reformas são necessárias para garantir a eficiência do sistema, com modelos de atenção primária sendo uma alternativa viável para conter custos.
O Brasil enfrenta uma crise na saúde suplementar, com custos médicos-hospitalares crescendo 14,6% ao ano, muito acima da inflação e da média de lucros das empresas. A situação se agrava com o envelhecimento da população e a estagnação econômica, que pressionam os planos de saúde.
As operadoras de planos de saúde, que faturaram R$ 330 bilhões em 2024, operam com uma margem líquida de apenas 1,3%. Para lidar com a crise, práticas como glosas e postergação de pagamentos a hospitais aumentaram, resultando em uma taxa média de glosas que saltou de 3% para 16% da receita. O prazo médio de pagamento às instituições de saúde também se estendeu de 70 para 120 dias.
Desafios e Estratégias
O cenário é ainda mais crítico para pequenas e médias empresas do setor, que enfrentam dificuldades financeiras. A verticalização e a ampliação de modelos de coparticipação têm sido tentativas de adaptação, mas não são suficientes. A falta de leitos adequados para cuidados prolongados, como hospitais paliativos e de reabilitação, também é um problema. No Brasil, há apenas 0,01 leito de transição para cada leito hospitalar, enquanto a média da OCDE é de 2,5.
A pressão sobre os planos de saúde deve aumentar, com a previsão de que a participação de idosos nas carteiras eleve os custos do setor na próxima década. A saúde privada é um ativo estratégico, mas a manutenção do modelo atual pode levar ao colapso. Reformas são urgentes para garantir a eficiência assistencial e a reorganização da rede prestadora.
Caminhos para a Sustentabilidade
Experiências internacionais mostram que a adoção de modelos baseados em atenção primária é crucial para conter custos. O sistema de gatekeeping, que prioriza consultas com generalistas antes de encaminhamentos a especialistas, tem demonstrado resultados positivos em países como Inglaterra e Portugal. Sem uma reestruturação do modelo assistencial, o Brasil corre o risco de enfrentar uma crise ainda mais profunda na saúde suplementar.
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