- O psiquiatra Flávio Kapczinski lidera um novo modelo de classificação da evolução do transtorno bipolar, que afeta cerca de 3% da população.
- O modelo será apresentado na Conferência Anual da Sociedade Internacional de Transtorno Bipolar em 2024, na Islândia, e considera fatores como número de episódios e comorbidades.
- Kapczinski também coordena um estudo sobre a prevalência de doenças mentais no Brasil, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com coleta de dados prevista para 2025.
- O estudo incluirá aproximadamente 23 mil participantes entre 18 e 75 anos e buscará identificar a frequência de transtornos como ansiedade e depressão.
- O novo modelo de evolução do transtorno bipolar classifica a progressão em quatro estágios, visando prevenir a progressão da doença e melhorar o tratamento.
O psiquiatra Flávio Kapczinski está à frente de dois projetos significativos sobre o transtorno bipolar, que afeta cerca de 3% da população. O primeiro envolve um novo modelo de classificação da evolução da doença, desenvolvido por uma força-tarefa internacional de especialistas. Este modelo, que será apresentado na Conferência Anual da Sociedade Internacional de Transtorno Bipolar em 2024, na Islândia, considera fatores como o número de episódios, comorbidades e prejuízos funcionais. Kapczinski, que é pró-reitor de Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), destaca que essa classificação ajudará médicos a escolher tratamentos mais adequados.
O segundo projeto, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), visa determinar a prevalência de doenças mentais no Brasil. A coleta de dados está prevista para 2025 e incluirá uma amostra representativa da população, com aproximadamente 23 mil participantes entre 18 e 75 anos. O estudo buscará identificar a frequência de transtornos como ansiedade, depressão unipolar e esquizofrenia.
Kapczinski explica que o modelo de evolução do transtorno bipolar classifica a progressão em quatro estágios, desde a fase latente, onde não há sinais visíveis, até casos em que o paciente perde a autonomia. A proposta é que essa nova abordagem ajude a prevenir a progressão da doença, que, se não tratada, pode levar a um aumento de episódios e a um impacto significativo na vida do paciente.
Além disso, o psiquiatra ressalta que o tratamento deve ser adaptado às comorbidades, como transtornos de pânico ou dependência de substâncias, que complicam o quadro clínico. A falta de um diagnóstico adequado pode resultar em um agravamento da condição, levando a consequências severas, como a morte precoce, que pode ocorrer até 10 anos antes em indivíduos com transtorno bipolar não tratado.
Essas iniciativas visam não apenas melhorar o entendimento e o tratamento do transtorno bipolar, mas também abordar a crise de saúde mental que afeta a população, especialmente os jovens.
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