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Calor extremo acelera envelhecimento celular como álcool e tabaco, aponta estudo

Estudo revela que ondas de calor podem aumentar a idade biológica em até 12 dias, afetando principalmente idosos e trabalhadores expostos ao calor extremo

Idoso no calor extremo (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
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  • Uma pesquisa em Taiwan revelou que a exposição a ondas de calor pode acelerar o envelhecimento biológico em até 12 dias após dois anos de calor extremo.
  • O estudo, publicado na revista Nature Climate Change, analisou dados de saúde de quase 25 mil adultos entre 2008 e 2022, durante 30 ondas de calor.
  • Para cada aumento de 1,3°C, a idade biológica aumentava entre 0,023 e 0,031 anos. Quatro dias adicionais de calor extremo resultaram em um aumento de cerca de nove dias na idade biológica.
  • Trabalhadores manuais apresentaram um aumento ainda maior, de 33 dias, devido à exposição constante ao calor.
  • O estudo destaca a vulnerabilidade de idosos e trabalhadores ao ar livre, com implicações significativas para a saúde pública, especialmente em países com populações envelhecendo rapidamente.

Uma pesquisa recente realizada em Taiwan revelou que a exposição a ondas de calor pode acelerar o envelhecimento biológico em até 12 dias após dois anos de condições extremas. O estudo, publicado na revista *Nature Climate Change*, analisou dados de saúde de quase 25 mil adultos entre 2008 e 2022, período em que o país enfrentou 30 ondas de calor.

Os cientistas descobriram que, para cada aumento de 1,3°C, a idade biológica dos indivíduos aumentava entre 0,023 e 0,031 anos. Isso significa que pessoas expostas a quatro dias adicionais de calor extremo em dois anos apresentaram um aumento de cerca de nove dias em sua idade biológica. Trabalhadores manuais, frequentemente expostos ao calor, mostraram um aumento ainda mais significativo, de 33 dias.

Vulnerabilidade e Impactos

O estudo destaca a vulnerabilidade de grupos específicos, como idosos e trabalhadores ao ar livre. Segundo Cui Guo, professora assistente da Universidade de Hong Kong e líder da pesquisa, o impacto acumulado ao longo do tempo é preocupante. Embora os números possam parecer pequenos, eles têm implicações significativas para a saúde pública.

Além disso, a pesquisa sugere que a falta de ar-condicionado e a exposição prolongada ao calor podem agravar o envelhecimento biológico. O estudo utilizou 12 biomarcadores de saúde para comparar a idade biológica com a idade cronológica dos participantes, levando em conta fatores como exercícios e doenças preexistentes.

Mudanças Climáticas e Saúde Pública

As ondas de calor estão se tornando mais frequentes devido às mudanças climáticas, com 41 dias extras de calor extremo registrados em 2024, segundo a análise da World Weather Attribution. A pesquisa de Taiwan se soma a estudos anteriores que indicam que o calor extremo pode ter efeitos comparáveis ao tabagismo e a uma alimentação não saudável.

Os pesquisadores alertam que o envelhecimento biológico acelerado pode estar ligado a um aumento de doenças e mortalidade. Em países como Taiwan, Itália e Espanha, onde a população está envelhecendo rapidamente, os resultados do estudo podem orientar intervenções de saúde pública para mitigar os efeitos do calor extremo.

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